DESCRIÇÃO GERAL:

O ALVA nasce perto da aldeia do Sabugueiro (Serra da Estrêla), contorna a Serra do Açor e desagua no Mondego perto de Penacova, depois de passar por várias localidades, como Sandomil, Avô, Côja, Arganil, Mucela, etc.

Como exemplo de um rio de serra, atravessa bonitas paisagens, com um leito sempre enquadrado por arvoredo e que nunca se alarga demasiado, excepto na albufeira formada pela Barragem das Fronhas (perto de Arganil), a maior e mais importante do seu percurso até à foz.

Para a canoagem de turismo, este rio será "navegável" a partir de Vila Cova à Coelheira, depois da Central Hidroeléctrica. 

A montante desta localidade existem alguns troços que podem ser descidos na modalidade de canyoning, a partir do Santuário da Srª do Desterro ou mesmo mais para cima...

Os percursos que descemos (1 a 6, até agora), apresentam excelentes condições para a prática da canoagem, não só para os que gostam de águas bravas como para os menos experientes e que prefiram percursos mais calmos.  Em todos eles, as partes calmas alternam (e antecedem) as partes mais "agitadas": açudes ou rápidos que geralmente não são muito longos.   

O grau de dificuldade raramente ultrapassa a Cl.III/III+ (médio), excepto em épocas de grande caudal em que só os mais experientes se poderão aventurar a descê-lo.  Fora isso, as principais dificuldades resultam da presença de alguns ramos de árvores junto ás margens com os quais se deverá ter algum cuidado - especialmente em zonas de rápidos - e com alguns dos (numerosos) açudes que, a partir de um certo caudal formam "rolos" muito perigosos na zona de recepção! 

Óbviamente, o caudal deste rio é directamente influenciado pela chuva e o degelo, e assim, normalmente só apresenta um nível suficiente para ser descido a partir de Outubro podendo, em alguns troços, manter um nível mínimo até Maio ou mesmo Junho.

 

NÍVEIS DE DIFICULDADE DE UM RIO

ALGUMAS REGRAS BÁSICAS DE SEGURANÇA !

Os rios podem-se classificar de acordo com a sua dificuldade, constituindo um dos indicadores a ter em conta quando se escolhe um percurso.  Por exemplo, a indicação Cl. III, significa que o percurso tem uma dificuldade geral do nível / classe III, embora possa ter algumas partes com dificuldade inferior.   Se, por exemplo, a indicação for de Cl. III (4), significa que o percurso tem uma dificuldade geral do nível / classe III com algumas passagens de nível / classe IV, mas não as suficientes para o classificar com este último nível (só se apresentar mais do que três passagens com este nível é que passa a ser classificado como Cl. IV).

  • Nível / Classe I (muito fácil):  a água é plana e a corrente fraca.

  • Nível / Classe II (fácil):  pouca corrente e rápidos sem dificuldade.

  • Nível / Classe III (médio):  ondas mais altas e alguns obstáculos (rochas, açudes, árvores,...), mas sempre com passagem visível; poder-se-á dizer que aqui começam as "águas bravas", que os mais inexperientes ou iniciados só deverão fazer acompanhados de outros mais experientes.

  • Nível / Classe IV (difícil):  rápidos mais fortes e saltos maiores; maior dificuldade em contornar os obstáculos; é necessário fazer um reconhecimento prévio do troço do rio e montar segurança ao longo da margem.

  • Nível / Classe V (muito difícil):  rápidos muito fortes e com saltos, a água é só espuma;  muito perigoso!  só deverá ser efectuado por canoistas muito experientes.

  • Nível / Classe VI (extremamente difícil):  passagens sem visibilidade e troços nos quais é impossível parar;  no limite do exequível...  extremamente perigoso!!

No entanto, a dificuldade pode variar muito, e rapidamente, por vários motivos:   aumentos bruscos do caudal que, entre outras coisas, pode originar a formação de redemoinhos, sifões ou rôlos onde antes não existiam, ou o  aparecimento de obstáculos imprevistos de um dia para o outro (por exemplo, árvores levadas pela corrente que se acumulam num determinado ponto transformando-se em verdadeiras armadilhas), etc.

Pode-se dizer que nunca se desce duas vezes o mesmo rio nas mesmas condições, pelo que as descrições incluídas nestas páginas devem ser encaradas apenas como meras indicações ou experiências recolhidas num determinado dia, com um determinado caudal, sob determinadas condições, as quais poderão ser diferentes se efectue o mesmo percurso em outro dia, em noutras condições...  Por exemplo, no rio Alva - que alguns poderão achar mais fácil que outros -, a maioria dos percursos que fizemos com um caudal médio normalmente não ultrapassam o nível médio (Cl. III a III+).  No entanto, quando o caudal aumenta, há que ter muita atenção aos rôlos muito perigosos que se formam na recepção dos (muitos) açudes que aquele rio apresenta ao longo dos seus percursos!  

Já alguns dos percursos superiores do Mondego e a maioria dos percursos nas ribeiras afluentes do Alva (ribeiras do Alvôco, da Loriga, Piódão e outras) normalmente apresentam troços com níveis de dificuldade mais elevados (Cl. IV, V) logo a partir de um caudal "normal", devido a apresentarem grandes desníveis, os quais são vencidos não só por saltos - alguns de altura considerável - como através de rápidos fortes.

No início de cada uma das nossas descrições, incluímos o valor / percentagem do desnível médio do percurso, que poderá ser um dos indicadores da dificuldade do respectivo percurso:

  • Até 0,4%:  rio de pendente / dificuldade baixa;

  • De 0,7% a 1%:  rio de pendente / dificuldade média;

  • Mais de 2%:  rio de pendente / dificuldade extremamente alta;

Normalmente, pode-se considerar que a um maior desnível corresponderá uma maior dificuldade, embora isso não seja uma regra linear, já que num rio de pendente / dificuldade média pode-se encontrar uma passagem ou zona de pendente / dificuldade muito superior, visto que os valores apresentados correspondem à média de todo o percurso.  

Independentemente do grau de dificuldade, do caudal e da época do ano, eis algumas medidas básicas de segurança a ter em conta:

  • não  ir sozinho para o rio (mínimo 3 pessoas); 

  • ir convenientemente equipados não só com colete, capacete, mas também contra o frio (fato de neoprene, botins, etc); 

  • levar um telemóvel;

  • se não conhecem o percurso ou não têm muita experiência, devem ir acompanhados por alguém que o conheça e tenha alguma experiência; contactem-nos caso entendam que a nossa opinião possa ser útil;

  • atenção aos percursos que têm poucos acessos pelo meio: em caso de emergência, o resgate é bastante difícil;

  • sempre que possível, haver algum veículo de apoio a acompanhar a descida por terra; 

  • não saltar açudes sempre que o caudal seja forte (lâmina de água que passa sobre o topo superior a 25cm / 1 palmo), o que pode originar rôlos muito perigosos na zona de recepção;

 

 

Percurso 1:

Início - Vila Cova à Coelheira (ponte romana - 320m alt.)

Final -  S. Gião (parque de campismo - 270m alt.)

Distância / Duração / Desnível - 9 Km / 3.00h / 50m (0,55%)

Início na praia fluvial depois de se atravessar a ponte romana, perto do campo de futebol.

O primeiro açude após aquela ponte, deverá ser saltado pelo lado direito devido ao retôrno que se forma na recepção de restante parte, pois aquela apresenta na sua base uma plataforma / degrau de cimento saliente 1m relativamente ao plano do paredão e 0,5m abaixo do nível da água, o qual fica oculto pela espuma da água em época de maior caudal.  Especialmente para (todo o tipo de) barcos rígidos, poderá resultar numa recepção um pouco "dura"...

Nos primeiros 4-5Km o rio segue em leito estreito, com poucos acessos e por vezes sob um verdadeiro "túnel" de arvoredo.  Esta situação só se altera pouco antes de Sandomil, numa zona onde encontramos dois açudes de pouca altura, quase seguidos.    Este percurso só se torna interessante com um bom caudal, pois só assim se formam rápidos divertidos e os açudes - especialmente os mais largos - se tornam mais fáceis de saltar (sem "travagens" no topo...).   O açude mais alto (vertical, com uns 2.00m de altura) localiza-se já muito perto do final do trajecto, pouco antes do parque de campismo de S. Gião, e passámo-lo pelo lado direito.

O Alva perto da nascente, no Sabugueiro

 

Início: Ponte romana  (Jun. 2003)

Açude depois da ponte romana  (Dez. 2003)

Açude destruído  (Dez. 2003)

Rápido  (Dez. 2003)

Dois açudes antes de Sandomil  (Dez. 2003)

Rápido a seguir aos dois açudes  (Dez. 2003)

Primeiro açude de Sandomil  (Dez. 2003)

Percurso 2:

Início - S. Gião (parque de campismo - 270m alt.)

Final -  Ponte das 3 Entradas (parque de campismo - 230m alt.)

Distância / Duração / Desnível - 10 Km / 4.00h / 40m (0,4%)

É um percurso bonito e bastante divertido de descer.   Além dos muitos açudes e pequenos saltos, com um bom caudal apresenta vários pequenos rápidos, terminando num mais longo, mesmo antes do final, que começa com um açude irregular em declive continuando o rápido por mais uns 100m.

Praticamente todo o percurso é acompanhado por uma estrada junto à sua margem direita, havendo vários pontos de saída e pontes (cerca de seis).

Na maioria dos açudes formam-se retornos a partir de um certo caudal (mesmo nos mais baixos), pelo que haverá que fazer um reconhecimento prévio dos mesmos para determinar o melhor ponto de passagem.   Sempre que necessário, é aconselhável e possível estabelecer segurança junto desses pontos de passagem, no topo do paredão do açude.

Dos vários açudes, destacamos: 

-  O primeiro (na Paredinha, entre o início e a ponte do Lagar Novo), largo e dividido a meio por um paredão perpendicular ao açude que, dividindo o leito longitudinalmente,  nos dá a opção de o passar pelo lado esquerdo com um salto simples e vertical de 2.00m/2.50m, ou de o passar pelo lado direito com um salto mais pequeno (1.50m) e continuar por um rápido que, curvando para a esquerda, reúne os dois braços do leito depois de, no seu final, se passar por entre umas 3 ou 4 árvores.

-  Um igualmente largo, antes de Penalva do Alva, com pouco mais de 1.50m, o qual passámos pela direita, entre a margem e uma árvore "plantada" no muro do açude (poderá haver outros pontos de passagem pela esquerda, embora possam haver pedras na recepção).  No entanto, há que que fazer esta passagem encostado mesmo à direita pois, a recepção junto à referida árvore apresenta um retorno forte, podendo arrastar os kayaks mais pequenos (e não só...) para debaixo e para detrás da queda, onde o paredão apresenta um cavidade escavada pela força das águas.

-  Um pequeno açude, antes da ponte da estrada de ligação a Caldas de S. Paulo, assinalado por uma grande roda de uma nora na margem esquerda.   Localizado a meio do percurso.   A melhor passagem será pela esquerda, quer no açude quer sob a ponte.

-  Depois daquela ponte e perto de Stº António do Alva, encontramos um açude que, tal como o da Paredinha, apresenta duas hipóteses de ser ultrapassado:  em quase toda a sua extensão, através de um salto único com cerca de 2m de altura (desaconselhável pois quase sempre apresenta muitas rochas na recepção) ou, a melhor hipótese, fazendo a sua passagem pelo lado direito, fazendo um pequeno salto (0,50m de altura) para uma plataforma intermédia e desta, saltar a altura restante (1,50m) à esquerda da árvore grande "plantada" no paredão.

-  Em Stº António do Alva, encontramos um açude com cerca de 2,50m de altura que, a ser saltado, o deverá ser pelo lado esquerdo (mas atenção ao retorno e a uma rocha meio escondida, no lado esquerdo da recepção).

-  Em S. Sebastião da Feira, existe uma passagem (ponte baixa em betão) sobre o rio que poderá ser contornada pela esquerda, pois não apresentará espaço suficiente sob a mesma para ser passada por baixo.   À saída desta localidade, antes (e à vista) da última ponte deste percurso, surge um pequeno açude em rampa (1,50m de altura) que deverá ser passado pelo lado direito, pois na parte central forma um retorno.

-  Depois desta localidade e antes do final do percurso, encontramos o açude que referimos no início desta descrição e que antecede um rápido longo.

Início no Prq. Campismo S. Gião  (Dez. 2003)

Início no Prq. Campismo S. Gião  (Dez. 2003)

Açude antes de Penalva  (Dez. 2003)

Açude antes de Penalva  ( Dez. 2003)

Após o açude...  (Dez. 2003)

Ponte em Penalva  (Dez. 2003)

Ponte em Penalva  (Dez. 2003)

Açude - Caldas S. Paulo  (Jun. 2003)

Açude - Caldas S. Paulo  (Dez. 2003)

Açude após Caldas de S. Paulo  (Dez. 2003)

Açude - Stº Antº Alva  (Dez. 2003)

Depois do açude - Stº Antº Alva  (Dez. 2003)

Açude - S. Sebastião da Feira  (Jun. 2003)

Rápido longo perto do final  (Dez. 2003)

Açude final - Pte. 3 Entradas  (Dez. 2003)

Percurso 3:

Início - Ponte das 3 Entradas (parque de campismo - 230m alt.)

Final -  Avô (Ilha do Picoto - 210m alt.)

Distância / Duração / Desnível - 3,5 Km / 1.30h / 20m (0,57%)

Normalmente constitui a 2ª parte de um passeio que começa na Ribeira do Alvôco, em Alvôco das Várzeas (ver Percurso 3 da Ribeira do Alvôco), mas pode ser feito isoladamente quando se deseje efectuar uma descida curta.

Início na margem direita, ao lado do parque de campismo e antes do açude (em rampa) que deve ser ultrapassado na sua metade esquerda.

Vários açudes durante o percurso.  O último, antes de Avô, é em rampa e tem cerca de 3m de altura.

O percurso termina com um rápido que, passando sob a pequena ponte de acesso à "Ilha do Picoto", contorna-a pelo lado esquerdo, podendo ser previamente inspeccionado pela margem direita.  Tendência no final para as embarcações serem empurradas para uma rocha no lado direito embora, normalmente, a própria corrente as afaste no último momento.

NOTA:   Na última vez que visitei este local (Janeiro 2004), verifiquei que haviam sido efectuadas obras que "domesticaram" os dois braços de rio que contornavam a Ilha do Picoto, que resultaram no alargamento de ambos e na introdução de diques intermédios em cada um deles.  Ou seja:  aquele rápido, tal como o conhecíamos, deixou definitivamente de existir, ficando agora este percurso mais "empobrecido" e privado da sua "cereja no topo do bôlo"!...  E o pior é que, no leito e principalmente junto aos novos diques, se podiam ver alguns "restos" da obra (que ainda não havia terminado):  ferros e pedras afiadas!

A meio do troço que separa este percurso do próximo, existe uma pequena barragem que proporciona um plano de água calmo entre ambos.

Açude em rampa antes do final  (Jun. 2002)

Final  (Jan. 2003)

Final sem o rápido, resultado das obras efectuadas no local  (Jan. 2004)

Percurso 4:

Início - Vila Cova do Alva (Ponte do Ó - 200m alt.)

Final -  Côja (parque de campismo - 170m alt.)

Distância / Duração / Desnível - 10 Km / 4.00h / 30m (0,3%)

Início na margem direita entre um açude em rampa e a Ponte do Ó (depois de passar sobre a ponte, virar à esquerda) e final no açude junto ao parque de campismo de Côja com desembarque na margem esquerda.

Percurso muito agradável, com uns 10 açudes (1 a 2m de altura, alguns em rampa) e alguns pequenos rápidos, consoante o caudal.  Atenção que alguns açudes (por exemplo último, o de Côja) podem apresentar retornos perigosos quando o rio leva muita água.

Pode ser dividido em 2 trajectos mais pequenos com início / final na ponte do Barril de Alva (180m alt.) junto ao parque de merendas, a meio do percurso. 

Início - 1º açude  (Jan. 2003)

Açude  (Ago. 2000)

Açude  (Abr. 2002)

Final  (Jan. 2003)

Percurso 5:

Início - Côja (parque de campismo - 170m alt.)

Final -  Arganil / Sarzedo (parque de campismo - 140m alt.)

Distância / Duração / Desnível - 14 Km / 4,30h - 5h / 30m (0,21%)

Em alternativa, este percurso pode terminar 4 Km antes, nas Secarias, no açude antes da ponte e perto do Restaurante "Gota D'Água".

O primeiro açude depois de Côja (nas Rabaças, sob a nova ponte), não deverá ser transposto com a embarcação;  a portagem deverá ser feita pela margem devido à forte possibilidade de existirem restos de materiais da obra da ponte, submersos (ferros, pedras, etc...).

Pouco antes de Secarias existe uma pequena barragem cuja portagem deve ser feita pela margem direita.

(Set. 2000)

Percurso 6:

Início - Arganil / Sarzedo (parque de campismo)

Final -  Barragem das Fronhas

Distância / Duração - 20 Km (até ao paredão da barragem)

Pouco depois (cerca de 4 Km) do parque de campismo de Sarzedo começa o plano de água da Barragem das Fronhas, um pouco sinuoso.

Percurso 7:

Início -  Fronhas (depois do paredão da barragem - 100m alt.)

Final -  Lapa (Ponte de Mucela - 70m alt.)

Distância / Duração / Desnível - 12 Km / ? / 30m (0,25%)

Percurso 8:

Início -  Lapa (Ponte de Mucela - 70m alt.)

Final -  Foz (Mondego, junto à IP-3 - 50m alt.)

Distância / Duração - 12 Km / ? / 20m (0,16%)

 

 

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Pedro Carvalho   ( tlm: 967062711  E.mail: kompanhia@clix.pt

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Ultima actualização:  14/03/2007