DESCRIÇÃO GERAL:

O rio CEIRA nasce na Serra do Açôr, perto da aldeia do Piódão e desagua no Mondego à entrada de Coimbra, depois de acompanhar a última parte do traçado da EN-17 (Estrada da Beira) e passar por várias localidades, como Malhada Chã, Covanca, Porto da Balsa - entre estas duas aldeias forma uma pequena e bonita barragem, a Barragem do Alto Ceira ou da Covanca -, Fajão, Colmeal, Góis, Serpins, Foz de Arouce, etc.

Até Góis é um rio estreito, que desce pelas serras  "entalado" nas margens - por vezes de escarpas abruptas.  Depois de Góis, as margens alargam um pouco, só voltando a estreitar a partir do Pêgo Negro, acompanhando a EN-17 até Coimbra.

Atravessa bonitas paisagens, sempre enquadrado por arvoredo e por alguns penhascos rochosos.

Óbviamente, o caudal é directamente influenciado pela chuva, e assim, normalmente só apresenta um nível suficiente para ser descido a partir de Outubro podendo, em alguns troços, manter um nível mínimo até Maio.

Os percursos sofreram uma alteração na respectiva numeração, resultante de novas descidas que entretanto fomos efectuando a montante. 

A montante do Percurso 1, existe um troço com 13km e 1% de desnível, desde a Barragem da Covanca (ou do Alto Ceira) até Ponte de Fajão, que não sabemos se será possível ser descido.  No entanto, a ser possível, só será navegável quando chova muito.

 

NÍVEIS DE DIFICULDADE DE UM RIO

ALGUMAS REGRAS BÁSICAS DE SEGURANÇA !

Os rios podem-se classificar de acordo com a sua dificuldade, constituindo um dos indicadores a ter em conta quando se escolhe um percurso.  Por exemplo, a indicação Cl. III, significa que o percurso tem uma dificuldade geral do nível / classe III, embora possa ter algumas partes com dificuldade inferior.   Se, por exemplo, a indicação for de Cl. III (4), significa que o percurso tem uma dificuldade geral do nível / classe III com algumas passagens de nível / classe IV, mas não as suficientes para o classificar com este último nível (só se apresentar mais do que três passagens com este nível é que passa a ser classificado como Cl. IV).

  • Nível / Classe I (muito fácil):  a água é plana e a corrente fraca.

  • Nível / Classe II (fácil):  pouca corrente e rápidos sem dificuldade.

  • Nível / Classe III (médio):  ondas mais altas e alguns obstáculos (rochas, açudes, árvores,...), mas sempre com passagem visível; poder-se-á dizer que aqui começam as "águas bravas", que os mais inexperientes ou iniciados só deverão fazer acompanhados de outros mais experientes.

  • Nível / Classe IV (difícil):  rápidos mais fortes e saltos maiores; maior dificuldade em contornar os obstáculos; é necessário fazer um reconhecimento prévio do troço do rio e montar segurança ao longo da margem.

  • Nível / Classe V (muito difícil):  rápidos muito fortes e com saltos, a água é só espuma;  muito perigoso!  só deverá ser efectuado por canoistas muito experientes.

  • Nível / Classe VI (extremamente difícil):  passagens sem visibilidade e troços nos quais é impossível parar;  no limite do exequível...  extremamente perigoso!!

No entanto, a dificuldade pode variar muito, e rapidamente, por vários motivos:   aumentos bruscos do caudal que, entre outras coisas, pode originar a formação de redemoinhos, sifões ou rôlos onde antes não existiam, ou o  aparecimento de obstáculos imprevistos de um dia para o outro (por exemplo, árvores levadas pela corrente que se acumulam num determinado ponto transformando-se em verdadeiras armadilhas), etc.

Pode-se dizer que nunca se desce duas vezes o mesmo rio nas mesmas condições, pelo que as descrições incluídas nestas páginas devem ser encaradas apenas como meras indicações ou experiências recolhidas num determinado dia, com um determinado caudal, sob determinadas condições, as quais poderão ser diferentes se efectue o mesmo percurso em outro dia, em noutras condições...  Por exemplo, no rio Alva - que alguns poderão achar mais fácil que outros -, a maioria dos percursos que fizemos com um caudal médio normalmente não ultrapassam o nível médio (Cl. III a III+).  No entanto, quando o caudal aumenta, há que ter muita atenção aos rôlos muito perigosos que se formam na recepção dos (muitos) açudes que aquele rio apresenta ao longo dos seus percursos!  

Já alguns dos percursos superiores do Mondego e a maioria dos percursos nas ribeiras afluentes do Alva (ribeiras do Alvôco, da Loriga, Piódão e outras) normalmente apresentam troços com níveis de dificuldade mais elevados (Cl. IV, V) logo a partir de um caudal "normal", devido a apresentarem grandes desníveis, os quais são vencidos não só por saltos - alguns de altura considerável - como através de rápidos fortes.

No início de cada uma das nossas descrições, incluímos o valor / percentagem do desnível médio do percurso, que poderá ser um dos indicadores da dificuldade do respectivo percurso:

  • Até 0,4%:  rio de pendente / dificuldade baixa;

  • De 0,7% a 1%:  rio de pendente / dificuldade média;

  • Mais de 2%:  rio de pendente / dificuldade extremamente alta;

Normalmente, pode-se considerar que a um maior desnível corresponderá uma maior dificuldade, embora isso não seja uma regra linear, já que num rio de pendente / dificuldade média pode-se encontrar uma passagem ou zona de pendente / dificuldade muito superior, visto que os valores apresentados correspondem à média de todo o percurso.  

Independentemente do grau de dificuldade, do caudal e da época do ano, eis algumas medidas básicas de segurança a ter em conta:

  • não  ir sozinho para o rio (mínimo 3 pessoas); 

  • ir convenientemente equipados não só com colete, capacete, mas também contra o frio (fato de neoprene, botins, etc); 

  • levar um telemóvel;

  • se não conhecem o percurso ou não têm muita experiência, devem ir acompanhados por alguém que o conheça e tenha alguma experiência; contactem-nos caso entendam que a nossa opinião possa ser útil;

  • atenção aos percursos que têm poucos acessos pelo meio: em caso de emergência, o resgate é bastante difícil;

  • sempre que possível, haver algum veículo de apoio a acompanhar a descida por terra; 

  • não saltar açudes sempre que o caudal seja forte (lâmina de água que passa sobre o topo superior a 25cm / 1 palmo), o que pode originar rôlos muito perigosos na zona de recepção;

 

 

Percurso 1:

Início -  Fajão / Pte. de Fajão (500m alt.)

Final -   Vale Pardieiro (360m alt.)

Distância / Duração / Desnível - 11 Km / 4.30h / 140m (1,27%)

Início na Ponte de Fajão, perto da povoação de Fajão.    Até Vale Pardieiro, tem dois acessos / saídas:  3km depois do início, na ponte entre as povoações de Mata e Relvas e, 2,5km mais à frente, na ponte de Casal Novo (420m alt.) que corresponde ao ponto médio (em distância) do percurso.  

A primeira metade do percurso, mais difícil, tem um desnível de 1,45% (vence 80m) enquanto que a segunda tem 1,1% (vence 60m) embora se desenvolva num leito mais encaixado e mais profundo, sem acessos até Vale Pardieiro.

De todos os percursos do Ceira descritos nesta página, este é o que apresenta maior pendente e o mais difícil, especialmente a primeira metade.  Exige muita água para ser navegável, especialmente nos 3km iniciais, até à Ponte de Mata, que têm muitas pedras e é a parte mais difícil.  Em condições normais (caudal médio / alto, para cobrir as pedras) esse troço será certamente um Cl.IV(5), muito técnico - tipo Ribª da Loriga - e com algumas passagens que se podem tornar perigosas.  As fotos são todas deste troço.
A partir daí a coisa vai suavizando progressivamente até Vale Pardieiro, embora se mantenha interessante se bem que na última metade começem a surgir mais remansos.
Todo o percurso é muito bonito, com muito "verde", por vezes bastante "encaixado" e vale a pena ser descido - mas só quando chova bastante, senão torna-se penoso arrastar com os barcos sobre as pedras -, mas deixando os 3km iniciais só para os mais experientes...

O percurso termina em Vale Pardieiro.  Chegados à entrada do túnel, por onde passa quase toda a água do rio, fica-se com duas hipóteses:  "acarta-se" com os barcos pelos 500m de leito (em ferradura) praticamente seco que se seguem até à saída do túnel do outro lado da encosta e aí sobe-se o carreiro até ao cimo do monte (onde existe acesso automóvel), ou atravessam-se os 100m de túnel, de kayak, que terminam numa queda com uns 2.5m de altura para chegar mais rapidamente à base desse carreiro.  Quando descemos este percurso (ver Diário de Bordo 2006), havia pouca água e optámos por atravessar o túnel de kayak.  Dessa vez correu tudo bem, mas não sabemos como será numa situação de caudal mais elevado, especialmente na parte final, no salto, onde não convém deixar-nos arrastar para a direita (o melhor caminho é mesmo pelo meio) pois a recepção é um bocado entalada entre rochas...  Por precaução, há que montar segurança à saída do túnel.  

 

Paisagem habitual, com muito verde

Um pequeno açude

O mesmo açude, visto de jusante.

Paisagem habitual, com muitas pedras...

Muitas pedras e pouca água...

O Paulo Conceição a saltar...

O mesmo salto, visto de jusante.

Um "encravanço" num pequeno açude...

Depois do açude continuam as pedras...

Um açude mais complicado

Preparar para portear o 1º salto do açude

O 1º salto do açude visto de jusante

O 2º salto do açude

À entrada do túnel de Vale Pardieiro

Carlos Dias a "sair" do túnel de Vale Pardieiro

 

Percurso 2:

Início -  Vale Pardieiro (350m alt.)

Final -   Colmeal (330m alt.)

Distância / Duração / Desnível - 5 Km / 2h / 20m (0,4%)

Início na zona de recepção da queda de água formada pela descarga do túnel que atravessa a encosta, sob Vale Pardieiro.

Há que descer uma encosta (bastante íngreme) até ao rio.

É um percurso bonito, que me pareceu bastante fácil - mesmo imaginando-o com mais água do que aquela com que o fiz no Enkontro do Ceira 2006 - pois tem pouca pendente, não apresentando muitos obstáculos, rápidos ou saltos.  Necessita de um caudal razoável para ficar interessante e navegável.

Final no açude do Colmeal, antes da ponte (boa saída pela margem direita).

 

Túnel  (Maio 2003)

Túnel  (Fev. 2006)

Final no açude do Colmeal, antes da ponte  

(Fev. 2006)

 

Percurso 3:

Início - Colmeal (330m alt.)

Final -  Candosa (300m alt.)

Distância / Duração / Desnível - 4,5 Km / 1,30h / 30m (0,66%)

Início na praia fluvial do Colmeal, começando por se saltar o açude antes da ponte.

O percurso, bonito, continua sem grandes obstáculos ou rápidos dignos de nota, tal como acontece no percurso anterior.  

Sensivelmente a meio, surge o obstáculo mais difícil e característico, talvez um dos "ex-libris" dos percursos aqui descritos:  o famoso salto da "Cortada", anunciado com (pouca) antecedência por um brusco estreitamento do leito e por uma pequena ponte que atravessa o rio precisamente por cima do salto!   Este salto, com pouca água, deve ser feito pela direita obrigando a uma inesperada trajectória em "S" (atenção aos barcos maiores que podem aqui ficar encravados...).  Com mais água talvez seja possível fazê-lo mais "a direito" e pela esquerda. Convém parar antes (não muito fácil se houver bastante caudal), fazer o reconhecimento e até montar segurança.

 

Rápido antes da Cortada  (Maio 2003)

Salto da Cortada  (Jan. 2006)

Salto da Cortada  (Jan. 2006)

Salto da Cortada  (Jan. 2006)

Salto pela esquerda, com pouca água  

(Fev. 2006)

"Encravanço", com pouca água  

(Fev. 2006)

Final (Candosa)  (Fev. 2006)

 

 

Percurso 4:

Início -  Candosa (300m alt.)

Final -   Cabreira (260m alt.)

Distância / Duração / Desnível - 5 Km / 2.00h / 40m (0,8%)

De todos os percursos do Ceira que já desci (2, 3, 5 e 7), na minha opinião este é o mais interessante e bonito, com uma pendente que já nos oferece alguma emoção, vários rápidos e saltos para todos os gostos (alguns a exigir alguns cuidados ou mesmo uma portagem) que, mesmo com pouca água, é divertido de descer.  Inclui até um túnel!  

É um percurso relativamente estreito e com margens por vezes bastante altas e íngremes.  Para quem conhece, é muito parecido com a Ribª do Alvôco, da Barriosa a Vide, mas ainda melhor, mais “animado”.  

Recomendo vivamente esta descida!

O percurso seguinte é muito parecido com este, mas apresenta mais zonas planas e tem o problema dos acessos (leiam a descrição seguinte).

Início (Candosa)  (Fev. 2006)

Túnel  (Fev. 2006)

 

Portagem de açude  (Fev. 2006)

Açude  (Fev. 2006)

Açude (Sandinha)  (Fev. 2006)

 

 

Percurso 5:

Início - Cabreira (260m alt.)

Final -  Góis (180m alt.)

Distância / Duração / Desnível -  11 Km / 4.00h / 80m (0,72%)

No mesmo dia em que fiz o percurso anterior, desci igualmente este, mas não recomendo que façam o mesmo, pois resulta numa descida um pouco longa (16km) e, da Cabreira a Góis não há saída ou acessos.  

É muito parecido com o percurso 4, mas pareceu-me ter mais zonas planas (tem ligeiramente menos pendente), além de que 8 km depois do início existe uma barragem, bastante velha e degradada - num local com margens muito altas, quase verticais, com muito arvoredo e sem um simples carreiro à vista - que retém e redirecciona a água (por dentro da serra) para uma pequena central hidroeléctrica, 1km a jusante, depois de uma longa curva do rio, ou seja, depois dela e durante esse quilómetro, há que arrastar os barcos durante 1h por cima das pedras e entre o matagal que entretanto havia crescido.  No entanto, este troço apresenta uma pendente mais acentuada e, quando haja muita água e boa parte dela consiga passar sobre o paredão da barragem, deverá apresentar bons rápidos, algo técnicos.

Chegados à central hidroeléctrica, a água é devolvida ao rio (verificámos que não existiam estradas que possibilitassem o acesso automóvel) e continuamos até Góis (2km depois).  Mas atenção que pouco depois da central existe um açude irregular, alto e bastante violento que, mesmo com pouca água tem que ser porteado (pela esquerda).   Aliás este percurso - bem como o anterior - é fértil em saltos e “passagens”, algumas delas a necessitar de alguma atenção quando haja bom caudal...

O desembarque faz-se em Góis, na margem esquerda da praia fluvial antes da ponte e do açude em rampa.  

 

 

Percurso 6:

Início -  Góis (180m alt.)

Final -   Vila Nova do Ceira (antes do açude - 160m alt.)

Distância / Duração / Desnível - 5 Km / ? / 20m (0,4%)

 

Percurso 7:

Início - Vila Nova do Ceira (antes do açude - 160m alt.)

Final -  Serpins (antes da ponte, junto à praia fluvial - 110m)

Distância / Duração / Desnível - 8 Km / 2,30h / 50m (0,62%)

Com início na margem direita antes do açude, é um percurso bonito.   Sensívelmente a meio, passa por uma pequena garganta, entre duas escarpas rochosas, verticais.  Com um bom caudal, surgem muitos rápidos e ondas pois não existem demasiados açudes (o maior é o do início).

Açude no início  (Fev. 2004)

 

Rápido antes da garganta  (Fev. 2004)

Garganta  (Maio 2003)

 

Percursos seguintes:

Início - Serpins (antes da ponte, junto à praia fluvial - 110m alt.)

Final -  Coimbra (foz no Mondego - 25m alt.)

Distância / Duração / Desnível - 28 Km / ? / 85m (0,3%)

Até ao cruzamento da EN.17 para Foz de Arouce, perto do Pego Negro, 10km a jusante de Serpins, o Ceira ainda apresenta uma pendente média de 0,6% (vence 60m).  Mas nos restantes 18km, até Coimbra, perde muita pendente e será um percurso muito calmo, com apenas 0,3% de pendente (vence apenas 25m).  

Nunca descemos estes troços.

 

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Pedro Carvalho   ( tlm: 967062711  E.mail: kompanhia@clix.pt

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Ultima actualização:  14/03/2007