2006

Complementando as descrições dos vários percursos, apresentamos o nosso "Diário de Bordo", que não é mais do que uma descrição de algumas das nossas descidas, incluindo as efectuadas em rios diferentes dos descritos neste site e participações em descidas e encontros organizados por outras entidades.

 

  29/01/2006 - Rio CEIRA

Preparando o encontro de 11+12 Fev., fizemos o reconhecimento de mais um troço do rio Ceira, desta vez da Candosa até à Cabreira (5km), que acabou por se prolongar até Góis (16Km)...

Nos fins-de-semana anteriores, já o Mário Martins e o Carlos Dias, com a ajuda do Pedro Miguel Marquês, o Emanuel, o Sérgio - entre outros -, haviam feito o reconhecimento do troço entre Vale Pardieiro e Candosa, limpando as margens de algumas ramagens, etc.

Não podíamos ter escolhido “melhor” dia, já que foi o "tal" em que nevou em todo o país (fazia um frio de partir pedra...).  A serra que atravessámos antes de chegar ao Comeal estava toda coberta de neve, incluindo alguns troços da estrada.  A coisa prometia... 

Entre os 9 participantes, contámos com a presença do presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, Mário Santos que, juntamente com o Luís Prazeres, nos akompanharam nesta descida “montados” numa canoa insuflável não falhando nenhum rápido ou açude!

Lá se foram limpando as margens, cortando árvores e arbustos à catanada e ao empurrão...

Restou um tronco enorme, entalado na recepção de um açude e que nos impediu de o saltar... e vai continuar a impedir porque ficou lá.  Cortá-lo com a catana dava o mesmo resultado que tentar fazê-lo com um canivete.

Fiquei bastante (bem) surpreendido com este percurso.  É muito bonito, relativamente estreito e com margens por vezes bastante altas e íngremes, com muitos rápidos e saltos para todos os gostos que, mesmo com a pouca água existente, foram divertidos de fazer.  Para quem conhece, é muito parecido com a Ribª do Alvôco, da Barriosa a Vide, mas ainda melhor, mais “animado”.

Do Ceira só conhecia o troço de V.N. Ceira a Serpins, mas na minha opinião, este é bem mais interessante sob todos os aspectos.

E pelo meio até passámos por um túnel (vejam as fotos)! 

Chegados à Cabreira pelas 14.00h.  Aí, a maioria do pessoal decidiu sair, mas o Mário Martins, o Sérgio Moreira e eu, decidimos continuar até uma barragem que ficaria (pensávamos nós) 5-6km a jusante. 

Só 8 km depois – num percurso que se manteve tão bonito e interessante quanto os 5km anteriores, mas com mais zonas calmas -  é que chegámos à barragem, bastante velha e degradada.  Já era tempo!  Finalmente íamos sair!... 

Mas logo verificámos que não havia acessos para quem tinha ficado de nos ir buscar (o Carlos Dias e o Pedro Fernandes):  margens muito altas, quase verticais, com muito arvoredo e sem um simples carreiro à vista.  A única solução era continuar até encontrar uma saída.  O problema é que esta barragem retia e redireccionava a água para uma pequena central hidroeléctrica, 1km a jusante, depois de uma longa curva do rio, ou seja, depois dela e durante esse quilómetro, tivemos que arrastar os barcos durante 1h por cima das pedras e entre o matagal que entretanto havia crescido.  No entanto, verificámos que este troço apresentava uma pendente mais acentuada e, quando haja muita água e boa parte dela consiga passar sobre o paredão da barragem, deverá apresentar bons rápidos, algo técnicos.

Chegados à central hidroeléctrica, onde a água era devolvida ao rio, verificámos que novamente não havia ninguém à nossa espera porque não existiam estradas que possibilitassem o acesso automóvel. 

Lá continuámos, agora novamente com água mas com o dia a escurecer.  Pouco depois encontrámos um açude irregular, alto e bastante violento que, mesmo com pouca água teve que ser porteado (pela esquerda).   Aliás este percurso é fértil em saltos e “passagens”, algumas delas a necessitar de alguma atenção quando haja bom caudal...

Já a anoitecer, 6 horas e 16km depois da Candosa, chegámos a Góis que, assim verificámos, é o único ponto de saída depois da Cabreira.

Mas valeu a pena!  (coitado do Carlos e do Pedro que andaram aflitos à nossa procura, a tentar chegar ao rio por morros e picadas...)

 

Na ponte da Candosa (início)

Túnel depois da Candosa

Açude antes da Cabreira

Açude "do tronco", antes da Cabreira

...placas de gêlo...

 

  11+12/02/2006 - ENKONTRO DO CEIRA

Mais uma vez os nossos kompanheiros Carlos Dias e Mário Martins nos convidaram a descer o Rio Ceira, num enkontro que contou com o apoio de várias entidades locais, das quais destacamos:  a União Progressiva da Freguesia do Colmeal que este ano comemora o seu 75º aniversário, a Junta de Freguesia do Colmeal, a Câmara Municipal de Góis, os Bombeiros Voluntários de Góis e a firma de transportes "S. Lázaro, Lda", para além da população em geral do Colmeal, que se mobilizou para este evento disponibilizando locais para os participantes dormirem, comida, viaturas para transporte e... muita amizade e animação!

Desta forma e para além de duas descidas, os participantes puderam usufruir de seguro de acidentes pessoais, pequeno-almoço (Sábado e Domingo), cacau quente a meio da descida de Sábado, jantar de Sábado (porco no espeto) com brindes oferecidos pelas entidades locais, lanche de Domingo (carne da grelha), transporte para participantes e embarcações entre final e início do percurso, e locais para dormir (6ª feira e Sábado).  A inscrição teve um preço simbólico (apenas 10€ e os acompanhantes não pagavam nada!) se considerarmos que mal chegou para os custos do seguro de acidentes pessoais...  Tudo o resto foi suportado pela população do Colmeal, quer ao nível pessoal quer através das suas colectividades (União Progressiva e Junta de Freguesia), não esquecendo os apoios das restantes entidades.

Por tudo isso e pelo magnífico acolhimento que nos foi oferecido, os nossos melhores agradecimentos!  Este será certamente um encontro que se irá repetir durante os próximos anos.  O Colmeal (e o Ceira) bem o merecem!

Ainda um agradecimento especial ao Mário Martins - um colmealense de gema, que com muito entusiasmo lançou esta ideia e que viu o seu empenho recompensado -, ao Carlos Dias e ao Sr. António Santos (presidente da União Progressiva) que desde o início acompanharam e apoiaram o Mário nesta "aventura", e ainda a todos os participantes que nos honraram com a sua presença e alegria.  Da minha parte, fiquei muito satisfeito por ter sido chamado a colaborar na organização deste evento e a Kompanhia das Águas ter demonstrado, mais uma vez, que é possível a qualquer de nós, organizar um encontro - mais informal ou mais "a sério" -, bastando que que haja vontade e prazer em fazer as coisas, não apenas para nós, mas para os outros e com a ajuda de todos.    

Ainda uma palavra em especial para as mulheres (do Colmeal e não só) que muito trabalharam para nos preparar as várias refeições.

Pessoalmente e porque só consegui participar no Sábado, destaco o excelente jantar desse dia, com grandes tachadas de sopa da pedra, de feijão, de arroz, a acompanhar as deliciosas lascas do porco que ia sendo assado no espeto, as sobremesas, etc, para além dos vários garrafões de vinho que iam sendo deitados "abaixo", bem como as cervejolas e um licor de mel que por lá circulou...   Mas parece que, apesar de tanto precioso líquido, muitos não conseguiram matar o bicho, digo, a sede, pois a seguir ao jantar foram-se chegando à tasca do Abel para tomar mais "uma" para "acamar"... e assim os deixei, a tomar "mais uma" (duas, três,...), antes de me lançar à estrada pois tinha mesmo que regressar.

Bom, mas então como é que foi o encontro?  E as descidas?

Como já se percebeu, o encontro foi um êxito, pese embora o facto da pouca água que o rio levava, algo que naturalmente não se conseguiu prever ou controlar.  Mas o rio continuava bonito e, com tudo o resto que este encontro proporcionou, esse "pormenor" acabou por não ser o mais importante.  Quando houver mais água não faltarão ocasiões para se repetirem estas descidas.

Então o encontro passou-se da seguinte forma:

SÁBADO (dia 11):

Concentração no Colmeal pelas 9.00h, com um excelente dia de sol.  Compareceram cerca de 50 participantes.  Depois de tomarem o pequeno almoço, de se equiparem e de montarem os barcos nas viaturas disponibilizadas para esse efeito, lá fomos transportados para o início do percurso, em Vale Pardieiro, onde chegámos já depois das 11.00h depois de muitas curvas e caminhos de terra que nos ia aumentando a expectativa.  

O percurso escolhido para este dia tem uns 9km, estando prevista uma pausa a meio, no Colmeal (para tomar o tal cacau quente) e terminando na Candosa.   

Depois de descermos a encosta (bastante íngreme) até ao rio, a descida começou pelas 12.00h, junto ao túnel que marca o início do percurso, que alguns ainda se aventuraram a saltar.

Foi a primeira vez que fiz este percurso.  É bonito, pareceu-me bastante fácil - mesmo imaginando-o com mais água - pois não apresenta tantos obstáculos, rápidos e saltos como o percurso que havíamos feito duas semanas atrás (Candosa - Cabreira - Góis) e que, em parte, seria feito no dia seguinte.

Chegámos ao açude do Colmeal pelas 14.00h, onde tomámos uma "bucha" e um cacau quente.  Aqui, alguns participantes - os menos experientes e os mais cansados - decidiram dar-se por satisfeitos e terminaram a descida.  Os nossos amigos colmealenses, até haviam retirado as comportas do açude que ali existe, na tentativa de aumentarem um pouco o caudal para jusante, mesmo que por pouco tempo.   Por isso e porque os mais adiantados do grupo já haviam chegado e partido antes de nós, não tardámos a meter-nos também a caminho para fazer o resto percurso.  Finalmente, já perto do fim, conseguimos reagrupar-nos aos mais adiantados, no famoso salto da "Cortada", onde todos haviam feito uma pausa para apreciar as proezas de cada um na execução deste salto que, com a pouca água que havia, obrigava a uma inesperada trajectória em "S".  Felizmente quando lá chegámos, alguém nos indicou por onde se descia, já que seria um tanto difícil parar e "espreitar" antes de saltar.  Foi um excelente culminar para esta descida, que terminou pouco depois, pelas 16.00h, na ponte da Candosa.

Vestir-nos e arrumar a trouxa foi coisa rápida, pois já ninguém pensava senão no porco assado que nos aguardava no Colmeal...

Aliás, tenho a salientar o excelente cumprimento de horários, especialmente a hora confortável a que terminámos a descida - coisa pouco habitual nas descidas da Kompanhia, que por vezes se prolongam quase até ao cair da noite... -, que nos possibilitou começar a jantar muito antes da hora prevista.  Ás 19.00h tínhamos praticamente acabado de comer e já o Sr. António Santos (da União Progressiva do Colmeal) nos presenteava com um discurso de agradecimento e também com vários brindes!

Foi com muita pena que regressei a Lisboa nessa noite e não pude ficar para Domingo, pois o convívio continuou pela noite fora, pelo menos a avaliar pela "romaria" à capelinha, digo, à tasca do Sr. Abel, depois do jantar...

DOMINGO (dia 12):  

Neste dia, os 15 "resistentes" que permaneceram no Colmeal, depois de tomarem o pequeno almoço, decidiram encurtar o percurso previsto para este dia (Colmeal - Cabreira) e iniciaram a descida na Candosa, dispensado repetir uma parte que haviam já feito no dia anterior, atendendo que havia pouca água e havia que regressar a casa neste dia, de preferência não muito tarde.  E foi uma boa ideia, pois neste percurso, com 5km, não se terá notado tanto a falta de água quanto no do dia anterior, para além de - na minha opinião - ser o mais animado e interessante de todos os que fiz no Ceira.  E com igual opinião ficaram todos os que não o conheciam e o fizeram neste dia.

No final da descida, satisfeitos com a descida, foram todos reconduzidos ao Colmeal onde comeram uma excelente carne grelhada, para além de todos os acompanhamentos do jantar da véspera...  

E assim terminou este encontro do Ceira, que já nos deixou saudades e vontade de lá voltar (mas com mais água...). 

Mas fiquem tranquilos que... já estamos a pensar no próximo!

Logotipo do encontro

Concentração no Colmeal (Sábado)

Preparativos em Vale Pardieiro 

Descida da encosta até ao rio

´

À espera da "largada"...

À espera da "largada"...

O salto do túnel, em Vale Pardieiro

O salto do túnel, em Vale Pardieiro, antes do início

O salto do Túnel, em Vale Pardieiro

Pausa no açude do Colmeal para o cacau quente

Açude do Colmeal

Açude do Colmeal:  início da 2ª parte da descida

O salto em "S" da Cortada

Ricardo Inverno no salto da Cortada

...uma "manobra" diferente...

"Encravanço" a meio do salto da Cortada...

Final da descida de Sábado, 

na ponte da Candosa

Discurso de agradecimento e entrega de brindes no final do jantar de Sábado

Fotografia antes da descida de Domingo: 

Mário Martins, Vasco, Paulo, Carlos Dias e Vanda

Preparativos antes da descida de Domingo, na Candosa

Início da descida de Domingo, junto à ponte da Candosa

"Assistência" para a largada da descida de Domingo, na ponte da Candosa

Açude na Sandinha, antes da Cabreira

 

     

 

  28/02/2006 - Ribeira da LORIGA

Na 3ª feira de Carnaval, reunimos um pequeno grupo (os "7 Magníficos, mas sem pistolas", como nos chamou o Carlos Dias...) e fomos descer pela primeira vez a RIBEIRA DA LORIGA, um percurso classificado como Cl.IV pela malta do C.C.A.B.P. que já o havia descido várias vezes e nos haviam contado como era... (obrigado Rui Calado, Henrique e Teresa) .

A descida começou na aldeia de Cabeça – tendo como pano de fundo os cumes nevados da Torre e da Garganta de Loriga –, depois de descer / alombar com os barcos por uma encosta até à ribeira, 100m mais abaixo!

Embora a tenhamos “apanhado” com pouca água – o que foi bom para o nosso nível de experiência - foi fácil de ver que aquilo, logo a partir de um nível médio de caudal, é mesmo Cl IV, especialmente os primeiros 4km, de Cabeça a Casal de Rei, muito técnicos, sem paragens, a exigir atenção constante e com pouca margem para erros (senão:  charco e muita pedra!). 

O leito é quase sempre bastante estreito (por vezes não mais do que 3 ou 4m de largura) e cavado entre margens rochosas (xisto), mas sempre muito bonito!   Pena é que a zona tenha sido devastada pelos incêndios no último Verão...

Os restantes 4km, até à foz na Ribª do Alvôco, “acalmam” ligeiramente – mas pouco – com alguns remansos a anteceder os açudes, que são altos e quase todos e exigir portagem. 

Já perto do fim, em Muro, temos a “cortada”, uma queda de água com 10m ou mais de altura, com vários patamares:  Cl.VI para uns, infranqueável para outros... (para mim tanto faz, que eu não passo por lá!)  Esta passagem obrigou-nos a uma portagem bastante penosa, pois tivemos que transpor a encosta bastante íngreme que a ladeava (optámos pela do lado esquerdo, demasiado alta para o cansaço que já levávamos), que estava toda queimada.  Quando chegámos ao outro lado, parecíamos um bando de limpa-chaminés!

Continuando a descida, pouco depois entrámos na Ribª do Alvôco (que estava com um caudal razoável, ao contrário da Loriga), 2km a montante de Vide (o ponto de saída) que, depois da Ribeira da Loriga nos pareceu uma autêntica sopa, apenas com 2 açudes e algumas acelerações pelo meio.

Ficou-nos a vontade de repetirmos esta descida – com um pouco mais de água – pois o percurso bem o merece, pela sua beleza e “animação” constante.   Mas convém ser um grupo pequeno e com experiência...

Atenção que os ramos junto ás margens e em alguns rápidos são obstáculos a ter em conta e que podem complicar a descida.

Por outro lado, tal como nos contaram alguns locais, esta ribeira só tem água quando chove bem durante, pelo menos, uma semana e desce rapidamente assim que deixa de chover, o que limita bastante as ocasiões em que está "navegável".   No entanto, deve-se descer este percurso apenas com o caudal suficiente e não com caudal muito alto, pois assim tornar-se-á bastante perigosa.

.

Vide (final)

Cabeça (início) com a Garganta de Loriga nevada como pano de fundo...

A descarregar os kayaks em Cabeça, antes de iniciar a descida (100m) até ao leito da ribeira

Um dos rápidos na 1ª parte

Um açude na 1ª parte

Portagem do maior açude da 1ª parte

Açude alto na 2ª parte, em Muro

Portagem desse açude pela esquerda

Observando a "cortada", em Muro

A "cortada", em Muro

A "cortada", em Muro

Porteando a "cortada", em Muro

A ribeira a seguir à "cortada", em Muro

Açude alto na Ribeira do Alvôco, nos últimos 2km do percurso, antes de chegar a Vide

 

 

  19/03/2006 - Ribeira da SERTÃ

Neste dia, entre resistentes da Descida do Nabão da véspera e mais alguns que, como eu, vieram de propósito para conhecer essa ribeira tão bem afamada, cerca de dúzia e meia de canoistas reuniram-se para descer a Ribeira de Sertã, aproveitando as recentes chuvadas que prometiam um bom caudal...  

O Carlos Dias (aquele senhor de idade que se reformou para andar na paródia e que sofre de kayakite crónica) até se deu ao trabalho de vir para Lisboa depois do jantar do Nabão e regressar comigo e com o Mário no dia seguinte para fazer a descida:  estava de novo reunido o TEAM CONDORES (...com dores aqui,... com dores ali,...)!   Então se há um Team Dagger, um Team MarBravo, um Team Marafados, etc, porque é que não há-de haver um Team Condores?  E o ingresso está aberto a todos jovens praticantes de águas-mais-ou-menos-bravas com mais de 40 anos e, com pelo menos, uma maleita própria da idade: reumático, falta de paciência, joanetes, hemorróidas, calviçe, vista cansada, espôsa que não aprove que o cônjugue vá remar com os amigos todos os fds, pêlos no nariz e/ou nos ouvidos, flatulência persistente, apreciador de comida e bebida a sério (“fast-food” e “Coca-Cola” não incluídas), etc...

Voltando ao assunto:  Chegámos a Tomar antes das 10.00h mas só arrancámos para o início do percurso quase ás 13.00h...!  Estivemos à espera que alguns ilustres participantes da descida (farra) do dia anterior despertassem do sono profundo (leia-se:  fossem reanimados do coma alcoólico) em que haviam mergulhado desde a véspera, em especial um que andou horas à procura da chave do carro, perdida (dizem...) no fundo de um barril...  e com tantos barris (vazios) onde procurar, a coisa levou o seu tempo...

Bem e agora vamos lá falar da descida. 

Para começar, “ribeira” (da Sertã) será uma designação muito ligeira para “aquilo” que encontrámos:  leito largo, um caudal bem alto e “à maneira”, mais parecia o Paiva, de Espiúnca a Travanca, talvez até com algumas passagens mais complicadas e técnicas! 

Entrei na água com algum nervosismo (e algum cansaço acumulado de dias anteriores e de poucas horas de sono...) pois, segundo ia ouvindo dizer aos que já a haviam descido, seria das vezes que a ribeira levava mais água...  Mas não poderia ter escolhido melhor oportunidade para a descer pela 1ª vez, já que a companhia era mesmo 5 estrêlas, com malta experiente e conhecedora das manhas do trajecto.

O caudal forte estava mesmo “no ponto” para a minha barcaça, com longos e divertidos rápidos, quase consecutivos, cheios de ondas, que ia papando sem grandes dificuldades, aparte o cansaço que por vezes me deixava a bufar...  e que me tirou a genica para endireitar o barco no final de uma passagem (Cl. IV?) estreita e manhosa, de que resultou ir ao banho.  Valeu a ajuda do pessoal que estava a jusante e que me recuperou o barco.  Mas já marquei novo encontro com a “manhosa” para a desforra!  (Isto não fica assim!)  Aliás, para além da Ribeira / Tasca do Chico, onde começámos, esta foi a única oportunidade para sacar da máquina e bater uma fotos, pois de resto foi sempre “à’viar”, sem pausas nem descanso.

Pouco depois dessa passagem, ultrapassámos a Ponte da Rôla (3,5km depois do início) e a partir daí o ritmo acalmou um pouco, mas manteve-se ainda assim bastante interessante. 

A descida, que havia começado ás 14.30h, acabou (apenas) duas horas e 9km depois, na Ponte de Porto dos Cavalos, perto de Palhais.

Pelas minhas contas, nos primeiros 3,5km - até à Ponte da Rôla - descem-se 25m (0,71% de pendente) e nos restantes 5,5km descem-se 35m (0,63% de pendente).

Foi simplesmente um dos melhores e mais divertidos percursos que fiz até hoje!  É disto que eu e o meu barco gostamos, especialmente com aquele caudal!  Já há muito tempo que não apanhava um percurso assim, com tanta água e tantos rápidos.  É (mesmo) 5 ESTRÊLAS!! 

 

Início (Ribª / Tasca do Xico)

Início (Ribª / Tasca do Xico)

...depois da passagem Cl.IV (fora de vista)...

 

  15/04/2006 - Rio CEIRA

Neste dia fomos conhecer o Percurso 1 do CEIRA, de Ponte de Fajão a Vale Pardieiro.
Infelizmente, a chuva que havia caído na véspera não foi suficiente para encher este percurso, que exige muita água para ser navegável, especialmente nos 3km iniciais, até à Ponte de Mata, que têm muitas pedras e é a parte mais difícil.  Em condições normais (pelo menos com mais 1m de altura de água) esse troço será certamente um Cl.IV(5), muito técnico - tipo Ribª da Loriga - e com algumas passagens que se podem tornar perigosas.  As fotos, excepto as duas últimas (do túnel de V. Pardieiro) são todas deste troço.
A partir daí a coisa vai suavizando progressivamente até Vale Pardieiro, embora se mantenha interessante se bem que na última metade começem a surgir mais remansos.
Todo o percurso é muito bonito, com muito "verde", por vezes bastante "encaixado" e vale a pena ser feito quando houver bastante mais água, mas deixando os 3km iniciais só para os mais experientes...
No final, já um bocado estafados (7h depois do início), desafiados pelo Mário e pelo Carlos Dias que andavam danados para o fazer, alguns de nós atravessaram o túnel de Vale Pardieiro.   Quem acabou por "abrir a marcha" foi o Paulo Conceição no seu insuflável, seguido por mim (noutro insuflável), pelo Mário e por último o Carlos.   
Foi uma sensação estranha: o túnel tens uns 100m e termina num salto com quase 3m que nos manda para a direita para um espaço um pouco apertado entre rochas.  Atravessar o túnel, completamente ás escuras (já eram 19h e o céu estava encoberto, o que não ajudava) foi como andar no "Comboio Fantasma";  só se via o recorte da saída do túnel, lá ao fundo;  não se via a água (só alguns salpicos que reflectiam a luz vinda do fim), o barulho da corrente fazia eco nas paredes negras e invisíveis (sentiam-se mais do que se viam...); no final, ouve-se o barulho da cascata, lembramo-nos que à direita a recepção é estreita e encaixada entre a rocha e tentamos remar para a esquerda mas a corrente arrasta-nos mesmo para a direita; mas tudo bem, os insufláveis dobram um bocado em "U" no fundo da queda, com a água a cair em cima, mas depressa se safam do aperto. Os "plásticos" (o Mário e depois o Carlos) conseguem fazer uma trajectória mais a direito na ponta final e saem-se com um salto mais "limpo".  Foi um bom "fecho" para uma descida que merecia ter mais água...

Paisagem habitual, com muito verde

Um pequeno açude

O mesmo açude, visto de jusante.

Paisagem habitual, com muitas pedras...

Muitas pedras e pouca água...

O Paulo Conceição a saltar...

O mesmo salto, visto de jusante.

Um "encravanço" num pequeno açude...

Depois do açude continuam as pedras...

Um açude mais complicado

Preparar para portear o 1º salto do açude

O 1º salto do açude visto de jusante

O 2º salto do açude

À entrada do túnel de Vale Pardieiro

Carlos Dias a "sair" do túnel de Vale Pardieiro

 

  23/04/2006 - Rio MONDEGO

Neste Domingo cheio de sol, a Kompanhia reuniu um pequeno grupo - Team Condores (Carlos Dias, Mário, Pedro Carvalho e Carlos Viana), o Luís, o Sérgio Domingues e o Pedro Marquês - para conhecer o Percurso 11 do Alto Mondego.   

Não foi uma descida muito divulgada pois tínhamos algum receio do que iríamos encontrar...  O Carlos Dias e o Mário já o haviam descido em 2001, num Encontro Nacional de Águas Bravas que aqui se havia realizado e alertaram-nos que haveríamos de encontrar algumas passagens mais manhosas que exigiam alguma atenção e cuidados.  Nessa ocasião o rio levava mais água, mas o caudal que encontrámos (Nível Hidrométrico da Ponte de Juncal - INAG: 0.58) deu perfeitamente para nos divertirmos com os muitos rápidos e passagens que este percurso nos oferece.  Também tivemos que passar por várias zonas calmas (mais do que as que esperava encontrar, o que nos fez demorar quase 6h a percorrer os 13km do percurso...), especialmente na segunda metade do trajecto.

A concentração fez-se na ponte no final do percurso, e daí seguimos para o início (Pte. Palhez) pela estrada que parte da margem direita do rio.  Logo ao princípio, sobre a ponte, dava para ver uns rápidos porreiros que esperavam por nós...  daí que, sem pressas, começámos por aconchegar o estômago antes de nos metermos no rio.  Depois, não havendo mais nada para fazer, pelas 12.00h tivemos mesmo que nos meter na água e logo ao princípio levámos com uns rápidos que nos espevitaram e ajudaram a acalmar...

Mais à frente apareceu-nos o primeiro rápido mais complicado, que fazia uma curva para a direita entre um molho de árvores e um pedregulho a jusante.  Havia que o fazer encostado ao interior da curva, junto ás árvores, caso contrário seríamos atirados contra o pedregulho.  O Sérgio avançou primeiro, mas não conseguiu evitar ir contra o penêdo, teve que fazer uma esquimotagem mas safou-se bem;  o mesmo sucedeu ao Mário que foi a seguir;  os restantes, usufruindo da "demonstração" dos dois primeiros, conseguiram encostar-se mais à direita e safaram-se bem.  E os rápidos sucederam-se, num ritmo que dava para recuperar e nos preparamos para o próximo.  

Atenção à passagem de um açude em rampa que encontrámos lá pelo meio:  quem descer pela esquerda (o melhor é descer pelo meio), no final tem que fazer uma curva para a direita quase em cima de umas pedras semi-submersas (não são muito grandes) para retomar a corrente central.  Essas tais pedras escondem um sifão com diâmetro e força suficiente para fazer passar uma pessoa (o Mário que o diga...).

De todos nós, o Luís seria quem teria menos experiência mas, com um ou outro banho forçado, a descida correu-lhe bem e divertiu-se bastante (a avaliar pelos gritos de satisfação no final dos rápidos...).  Aliás, todos foram ao banho pelo menos uma vez (esquimotando ou nem por isso...) e nem eu escapei, quando tentava "rebocar" o Carlos Dias (que depois de ir ao banho e perder o kayak, pôs-se a fazer hidrospeed agarrado à traseira do meu barco), não conseguimos contornar um pedregulho e um buraco pouco simpáticos e... charco!  Eu cá ainda acho que o Carlos fez de propósito para me virar...

Antes do final encontrámos um rápido que contornava um molho de árvores pelos dois lados:  pela direita, a água escorregava numa curva à esquerda por cima de uma laje, mas batia numa pedra colocada mesmo a meio (talvez com mais água seja possível passar sobre ela...) e pela esquerda a corrente formava um salto quando passava sobre outra pedra (também) colocada a meio do rápido.  Optámos pela esquerda (ou melhor, o Sérgio, que abriu a marcha...), mesmo por cima da pedra, evitando os ramos que se estendiam da margem esquerda.  Mas atenção que este salto "agarra"!  Há que tomar velocidade antes e remar com força na recepção.

Pouco depois e após alguns pequenos açudes e rápidos de menor importância, chegámos ao fim.  É um belo percurso, bem divertido e que merece ser revisitado embora, ao contrário do que esperava e gostaria, tenhamos encontrado mais zonas calmas. 

Para mim, foi um excelente "fecho" de época!  A disponibilidade não é muita e os rios vão começar a ficar sem água, por isso encontramo-nos de novo na água lá para Outubro ou Novembro (talvez no S. Martinho nº 4?).  Até lá... boas ondas!

 

Descendo até ao início, na Pte. Palhez

Atestando o "depósito"... com muita calma!

O "katerring"...

Início (açude acima da Pte. Palhez)

Um dos rápidos iniciais

Carlos Dias a finalizar o rápido

Mais um rápido

Mais um rápido e...

...resgate depois desse rápido.

Açude:  atenção ao sifão do lado esquerdo!

Mário junto ao sifão...

Outra passagem...

Mário a entrar num rápido.

Mário a finalizar esse rápido.

Sérgio a descer um açude rampado.

Eu a descer o mesmo açude.

Pedro Marquês a descer o mesmo açude.

O açude visto de jusante..

Início de mais um rápido.

Sérgio a entrar em mais um rápido.

Eu a entrar no mesmo rápido.

Inspeccionando um dos últimos rápidos.

Les Sept Magnifiques Kompagnons!

Vejam o TEAM-REPORT da descida, 

realizado pelo 18&CIA

.

R E P O R T

 

 

  4+5/11/2006 - ENKONTRO DE S. MARTINHO (IV) no ALTO MONDEGO

E lá se passou a quarta edição do Encontro do S. Martinho, que mais uma vez abriu a época dos encontros de águas bravas em Portugal e que este ano incluiu uma Acção de Aprendizagem em Esquimotagem no 1º dia do encontro (Sábado, 4), enquanto que a descida propriamente dita se realizou no 2º dia (Domingo, 5), concretizando-se assim o nosso desejo de integrar uma componente de aprendizagem nos nossos encontros.

No SÁBADO, o pessoal distribuiu-se por 3 actividades:

- Acção de Aprendizagem em Esquimotagem, nas piscinas cobertas da ABPG em Gouveia, organizada pela Vivaventura com o apoio do Luís Pedro Abreu (Kayaksurf.net) e da sua equipa;  esta actividade contou com 14 participantes, tendo praticamente todos chegado ao fim a conseguir esquimotar.

- Reconhecimento e limpeza do percurso (P.8) que seria descido no Domingo, levado a cabo por 6 desgraçados (eram para ser 12 mas metade “desertou”... ), que se fartaram de serrar lenha pelo caminho, a saber:  Team Condores, 18 & Ciª e o João Ramos que se revelou (mais) um excelente kompanheiro!  Para não falhar a sua tradição de azarado do grupo, o Mário ia perdendo o kayak, que foi rio abaixo enquanto estava entretido a serrar uns troncos.  Por sorte, conseguiu encontrá-lo (com a pagaia!) uns 300m e alguns rápidos mais abaixo...  O caudal estava forte sem estar excessivo (Nível Hidrométrico da Ponte de Juncal - INAG: 0.91), e assim lá se fizeram todos os rápidos, excepto dois:  um na 1º parte do percurso que estava completamente entulhado de ramos (ainda lá estaríamos hoje a serrá-los...) e outro na 2ª parte, que normalmente é sempre porteado porque faz um curva apertada e atira connosco para as pedras.

- Aproveitando a viagem até à Serra, a Teresa e o Henrique (do C.C.A..B.P.) reuniram um grupo para irem descer o P.2, perto de Videmonte, que estava com um belo caudal.  Entre eles encontrava-se malta do T.K.C. e alguns dos “desertores” acima referidos (he, he...).  Espero que os que não conheciam este percurso tenham gostado.  Foi uma boa opção para ocupar este dia.

No final do dia, a maioria dos participantes destas 3 actividades, bem como a família da malta do 18 & Ciª, reuniram-se num JANTAR bem animado, organizado pela Vivaventura, num restaurante da região.

A maioria do pessoal ficou a dormir num pavilhão do “Alji Park Aventura – Srª dos Verdes”, bem melhor que numa tenda, pois o tempo não prometia grande coisa...

No DOMINGO, entre os participantes da véspera e mais alguns, compareceram cerca de 40 canoistas para fazer a descida principal do encontro, o P.8, que havíamos reconhecido na véspera.

Chegados ao rio, verificámos que caudal havia subido bastante desde a véspera, mais do que seria de esperar pois não havia chovido muito desde então.  Havia subido 50% mais do que no Sábado (Nível Hidrométrico da Ponte de Juncal - INAG: 1.32), tendo continuado a subir até ao final da descida, atingindo quase o dobro do caudal da véspera (Nível Hidrométrico da Ponte de Juncal - INAG: 1.66)...!

O resultado foi os viranços começarem cedo e, poucas centenas de metros depois, uns 10 participantes, menos experientes e/ou com kayaks sem sistema de flutuação, foram forçados / aconselhados a abandonarem a descida, pois a coisa não tendia a melhorar.  

Durante os primeiros 4km (primeira parte) a coisa fez-se em 2h, com muitos banhos, mas sem grandes sobressaltos, mas os últimos 4km, com a constante subida de caudal, forçou a várias portagens e levou umas 3h a ser feita (na véspera desceu-se em 1.30h e apenas com uma portagem...).

A descida terminou pelas 16.30h, seguindo-se uma PETISCADA no final do percurso (Pte. Juncais), organizada pela rapaziada da Vivaventura.  Houve “fêvera” na brasa e castanha assada com fartura, até ao cair da noite!

Como sempre, agradeço a alegria e a participação de todos, bem como a ajuda prestada espontaneamente, dentro e fora de água.  Neste aspecto, cabe-nos a nós, os mais nabos, dirigir um natural e particular agradecimento ao pessoal mais experiente que, sempre atento, foi alertando desde o início para as situações mais complicadas e, entre esses (e não esquecendo os restantes), não posso deixar de salientar o Artur ("Jakes") da Nabância, e o Henrique e a Teresa, ambos do C.C.A.B.P.

Espero que tenham gostado.  Apesar dos alombanços...  Mas como não há fome que não dê em fartura, parece que esta época o problema pode vir a ser... água a mais!

Mesmo aqueles que no Domingo tiveram que abandonar a “corrida” antes do tempo, metam flutuadores nos kayaks, não desanimem e continuem a participar. 

Agradeço ainda o apoio de terra, espontaneamente prestado pela Vivaventura na descida de Domingo e que, nesse aspecto, ajudou a colmatar a falta de apoio que havíamos esperado por parte de outras entidades. 

Boa parte das fotos inseridas nesta notícia foram tiradas pelo Pedro Miguel Marquês e pela malta do "18 & Cia." que, juntamente com muitas outras, podem ser consultadas no respectivos blogs:   http://kayak-blog.blogspot.com  e  http://18ecia.spaces.live.com 

Podem ainda consultar a Crónica deste encontro, elaborada pela malta do "18 & Cia." em:

http://www.canoagem.online.pt/docs/Fotos_detalhe.asp?AssuntoFotoID=219

http://www.canoagem.online.pt/docs/Fotos_detalhe.asp?AssuntoFotoID=220

.

SÁBADO - DIA 4

Carlos Viana (18 & Cia) e Mário Martins

Início da descida!

O 1º açude (cuidado com os ferros!)

Carlos Dias a passar o 1º açude.

Carlos Viana e eu a conferenciar...

João Ramos de machado em punho!

João Ramos a passar o rápido

Eu no mesmo rápido

A serrar lenha num rápido...

João Ramos em mais um rápido

O Luís do "18 & Cia"

A equipa de lenhadores.

O grupo que foi descer o P.2

Um açude no P.2

O Sérgio a observar um rápido...

Passagem de um rápido.

Um rápido na 2ª parte.

Reunião para o jantar

Jantar

 

.

 

DOMINGO - DIA 5

Início sob a A.25

 

Mauro e Rui da VIVAVENTURA

Carlos Dias e o seu peluche (??!!!)

Artur ("Jacks") da Nabância e a sua "máquina"

A entrada na água...

O 1º açude...

...logo seguido dos primeiros banhos...

Reagrupamento após os primeiros rápidos 

Pausa a meio do percurso 

Carlos Viana a controlar a passagem do  

2º açude da 2ª parte.

O 2º açude da 2ª parte.

Avaliando um rápido...

Portagem do mesmo rápido...

Avaliando outro rápido...

...seguido de portagem...

O último açude do percurso, com demasiada água para ser passado.

A petiscada (febras e castanha assada) no final.

Vejam as CRÓNICAS DO ENCONTRO, da autoria do "18&Cia", divulgadas no Canoagem.Online:

 

CRÓNICA (parte I)

 

CRÓNICA (parte II)

 

 

 

 

 

  1 + 2 + 3/12/2006 - ENKONTRO DE VIDEMONTE no ALTO MONDEGO

Finalmente este ano, reunidas as condições necessárias - nomeadamente um caudal excelente - conseguimos realizar a primeira edição do Encontro de Videmonte, onde foram descidos os percursos mais altos de Portugal.   

Para o êxito deste encontro contribuiu em muito o apoio da Junta de Freguesia de Videmonte ao nível do alojamento, da logística dos transportes e das (excelentes) refeições.  Mas os participantes certamente também não esquecerão a expontânea simpatia e empenho dos elementos da Junta em particular e dos locais em geral que, aliado ao facto de estarmos em presença de um excelente percurso de águas bravas, apropriado para a aprendizagem e aperfeiçoamento desta modalidade, os fará desejar regressar. 

Por todos estes motivos, estou certo que este encontro se repetirá nos próximos anos.   Mas este ano, decorreu da seguinte forma:

6ª FEIRA (DIA 1)

Mais uma vez o encontro iniciou-se com uma componente de aprendizagem, desta vez com uma Acção de Formação de Iniciação ás Águas Bravas, organizada pela Federação Portuguesa de Canoagem, com o apoio do Raúl Estrêla (Canoagem.Online) que foi o monitor.  Esta Acção contou com 26 participantes, entre os quais um número considerável de jovens ("Kayaks com Açucar") que o Clube Náutico de Fafe conseguiu iniciar nesta modalidade.  Para além de terem dado bastante animação ao evento, é sempre bom ver malta tão jovem a interessar-se por esta actividade.  Continuem!

A Acção foi composta por uma parte teórica na parte da manhã (no Salão da Junta de Freguesia) e uma parte prática num pequeno troço do P.2 do Mondego, próximo de Videmonte.   Deu até para o Raúl descobrir uma excelente onda para o freestyle, de fácil acesso.  Espero que este seja mais um motivo para atrair os canoistas a este percurso.  

Tive pena de não poder acompanhar a Acção, mas só consegui chegar a Videmonte a meio da tarde e, avisado pelo Pedro Marquês (que tinha acabado de descer o percurso com o Luís Quilhó e o Mário Dias), ainda fui serrar alguns ramos que estavam a atrapalhar a passagem num dos rápidos da 2ª parte do percurso que iríamos descer no dia seguinte. 

O dia terminou com um excelente jantar no Salão da Junta de Freguesia, com cerca de 40 convivas:  sopa de abóbora, borrego guisado com batatas, arroz doce, leite creme, queijo da serra, etc...  Depois, num dos vários cafés locais, ainda deu para assistir à vitória do "glorioso" sobre os "lagartos" (he, he...).

SÁBADO (DIA 2)

O dia começou com um pequeno-almoço substancial confeccionado pela Junta, após o qual nos dirigimos para o início do percurso (P.2), na Qtª da Taberna.  A descida começou ás 11.00h e decorreu com bastante animação, por vezes com alguns banhos que não conseguiram arrefecer o ânimo e o entusiasmo dos participantes, apesar da água fria.  O caudal estava excelente embora não excessivamente forte, o que nos permitiu fazer os 8km da 1ª parte - até à praia depois da Ponte - em apenas 2h, menos uma hora do que havíamos previsto.  Neste ponto, os menos experientes ou os mais fatigados optaram por terminar a descida, pois nos 2km seguintes surgiam os rápidos mais fortes e complicados.  

Após uma curta pausa, prosseguimos para a última parte que, com aquele caudal, estava espectacular!  Foi sempre "a abrir" até ao fim, com muitos rápidos e poucas zonas calmas para descansar.  No entanto ainda levámos mais de uma hora a descer esta parte (a descida terminou ás 15.30h) pois, para além de alguns "viranços e engravatanços", houve que montar a segurança nos primeiros rápidos.  Pelo meio contámos com a assistência de vários populares que, aproveitando uma zona de fácil acesso junto a uma moenda, foram ver os "malucos" a descer os rápidos.

O dia terminou novamente com um excelente jantar no Salão da Junta, agora com cerca de 20 convivas:  sopa de hortelã, febras de porco na brasa com molho de cogumelos e arroz de feijão, para além do habitual arroz doce, leite creme, queijo da serra, etc...   Nessa noite não houve futebol e fomos para a caminha mais cedo que o corpo pedia descanso e recuperação para o dia seguinte.

DOMINGO (DIA 3)

Novamente o dia começou com um pequeno-almoço substancial.  Neste dia ficámos reduzidos a sete participantes, o que até foi bom porque íamos descer, pela primeira vez (em kayak, pois já o havia descido a pé no Verão de 2005), o percurso mais alto de Portugal, o P.1, da Srª de Assedasse até à Qtª da Taberna.  

Para chegar ao início, havia que percorrer 15km de trilhos a 1200m de altitude, só possíveis de fazer com veículos todo-o-terreno.  Felizmente podemos contar, mais uma vez, com o apoio da Junta de Freguesia e do seu presidente (Sr. Manuel Morais) que, juntamente com o Sr. José Carlos Pina, numa pick-up da Junta e num jeep, nos transportam - e aos kayaks - até à Srª de Assedasse.

Foi com alguma ansiedade que nos pusemos ao caminho, não só porque o tempo estava encoberto, com chuva e muito vento, mas principalmente porque era a primeira vez que aquele percurso, com 10km, era descido.  Além disso, sabíamos que não devia ser muito fácil, que havia um sifão pelo meio e que não existiam acessos até ao final.

Só o trajecto até à Srª de Assedasse foi uma aventura, em trilhos com uma paisagem espectacular (pena que a visibilidade não era a melhor), aos solavancos (quantas cabeçadas não demos no tejadilho...) durante mais de uma hora.

Chegados ao início, o vento sempre forte não dava descanso e aumentava o frio.  Rapidamente nos metemos nos barcos e, perto das 12.00h iniciámos a descida.  

Os primeiros 3km não têm história:  bastante fáceis (Cl. II/III), o rio corre com pouca altura num leito bastante espraiado (tanto que por vezes os barcos raspavam no fundo apesar de haver bastante água), com alguns pequenos rápidos e acelerações pelo meio.  E a chuva e o vento forte, com rajadas, sempre a acompanhar-nos..

Gradualmente, as margens vão estreitando, o caudal vai aumentando com as várias linhas de água que vão desaguando no rio e a sensação de (verdadeiro) isolamento vai-se acentuando.  

Menos de 1h depois do início, chegámos ás ruínas de uma pequena represa, que marca o início dos 4km centrais do trajecto, onde a pendente se acentua e os rápidos se irão tornar mais fortes, frequentes e complicados.  E o vento sempre a acompanhar-nos... tão forte que, depois de colocarmos os barcos em terra firme e enquanto inspeccionávamos o salto (com pouco mais de 2m de altura) formado pela represa, uma rajada lançou (literalmente!) o meu barco pelos ares e atirou-o para o meio do rio!  Por sorte ficou preso no topo do muro da represa e consegui recuperá-lo.

Depois deste salto, o rio toma um aspecto completamente diferente:  rápidos cada vez mais seguidos, alguns deles bem sinuosos e relativamente longos (pelo menos com o caudal que apanhámos), por vezes com a "ajuda" do vento que nos atirava para as rochas.  Foram 4km sempre "a abrir", com poucas zonas de descanso.  Classificá-los-ia certamente em Cl. IV (com 1 sifão intransponível).  

A meio, depois duma curva no rio, passámos por uma bela cascata (Ribª do Verdilheiro) que desagua / cai na margem esquerda mas, pela velocidade que levávamos (localiza-se a meio de um rápido), não deu para ser apreciada.   Depois desta cascata prosseguimos com algum cuidado pois sabíamos que íamos encontrar um sifão bastante grande que teríamos que portear.  No entanto, apesar do reconhecimento que fizemos pela margem direita e depois de levantados alguns pontos de referência para pararmos antes do referido sifão - as ruínas de uma pequena construção em xisto, encavada na escarpa da margem esquerda -, um erro de cálculo fez com que só déssemos pelo sifão quando estávamos mesmo em cima dele, depois de um rápido e um pequeno salto que o escondia a montante.  Felizmente, como havia bastante caudal, conseguimos contorná-lo pela direita, num rápido estreito entalado entre o penedo que forma o sifão e a margem direita, junto a umas árvores.  

Depois desta passagem (e do susto...) os rápidos continuam a suceder-se sem descanso durante mais 2km (porteámos dois deles pois estavam com cara de querer agarrar os kayaks).

Finalmente, nos últimos 3km o rio começa a "acalmar" e navegamos em Cl. III.  Foi com algum alívio que, perto do final, vislumbrámos as casas da Qtª da Taberna na margem direita, no topo de uma escarpa, tendo a descida terminado ás 16.00h.

Relativamente a este percurso (P.1), deixamos os seguintes avisos:   

-  Apesar das partes inicial e final serem mais fáceis, como temos que o fazer na totalidade, devemos classificar este percurso pela parte mais difícil ou seja, como um Cl. IV, com uma passagem intransponível (sifão) e possivelmente com mais algumas portagens a seguir a ele, dependendo do caudal.

-  Só deve ser feito por um pequeno grupo de canoistas, a maioria (senão todos) com bastante experiência;  qualquer problema, mesmo pequeno, torna-se complicado de resolver pois o percurso é completamente isolado.

-  Deverá ser feito com bastante caudal, mas também não mais do que aquele que apanhámos, caso contrário muitos rápidos terão que ser porteados e as portagens pelas margens nem sempre são fáceis. 

Concluindo, agradeço a animada participação de todos, o apoio da Federação Portuguesa de Canoagem à Acção de Formação e, principalmente, ao Raúl Estrêla por se ter disponibilizado para a ministrar.

Espero que todos tenham reconhecido as potencialidades dos percursos descidos - principalmente o P.2 pois o P.1 apresenta os perigos que atrás referi - e desejem lá voltar.

Finalmente, agradeço a simpatia da Junta de Freguesia e da população de Videmonte que tão bem nos receberam.  Até breve!

Podem consultar mais fotos da Acção de Formação no site da Canoagem.Online, em: 

http://www.canoagem.online.pt/docs/Fotos_detalhe.asp?AssuntoFotoID=225&offset=-1# 

Podem consultar o vídeo, fotos e a descrição da descida de Sábado, feitos pelo "18 & Cia" em: 

http://www.canoagem.online.pt/docs/videos_detalhe.asp?AssuntoVideoID=62 

http://18-e-companhia.blogspot.com/2006/12/o-18-em-videmonte-1-e-2-de-dezembro.html 

Podem consultar um vídeo da Kompanhia das Águas, da descida de Domingo, em: 

http://www.canoagem.online.pt/docs/videos_detalhe.asp?AssuntoVideoID=61 

 

.

6ª FEIRA - DIA 1- Acção de Formação

Raul Estrêla a dar a parte teórica da Acção

Início da parte prática da Acção

A zona da onda

Parte prática da Acção

Parte prática da Acção

O Raúl a dar instruções...

Leonel Castro (CN Fafe) com a

t-shirt dos "Kayaks com Açucar"

Kayaks à porta da Casa-Abrigo do PNSE, 

onde ficou alojada a malta de Fafe

O jantar

O jantar

O jantar (Raúl Estrêla)

O jantar (pessoal do C.N.Fafe e os "Kayaks com Açucar")

 

 

 

 

.

 

SÁBADO - DIA 2 - Descida do P.2

Início, na Qtª da Taberna (o pessoal de Fafe)

Início, na Qtª da Taberna (o pessoal da Guarda)

Início, na Qtª da Taberna

Início, na Qtª da Taberna

Nos primeiros troços do percurso

Carlos Viana a ajudar no 2º açude

Nos dos rápidos da 1ª parte do percurso

O 3º açude

Uma "hidromassagem" no 3º açude

Sábado:  eu e Carlos Viana (18 & Cia)

Pausa para a "bucha" antes da 

2ª parte do percurso

Pausa para a "bucha" antes da 

2ª parte do percurso

Pausa para a "bucha" antes da 

2ª parte do percurso

A serrar alguns ramos no 

final do 1º rápido da 2ª parte

A "desengravatar" um kayak 

no rápido da moenda

Final da descida (Nuno Brigas)

Final da descida

Vejam um dos VÍDEOS DO ENCONTRO

da autoria do "18&Cia", divulgadas no

  Canoagem.Online:

 

V Í D E O   1

 

 

.

 

DOMINGO - DIA 3 - Descida do P.1

Domingo: a caminho da Srª de Assedasse

Domingo: a caminho da Srª de Assedasse

Domingo: a caminho da Srª de Assedasse

Domingo: início, na Srª de Assedasse

Eduardo (Figas), Miguel, Paulo Conceição, eu, 

Nuno Brigas, Nuno Boavida e Mário Martins

Domingo: algures nos primeiros 3km do percurso...

Domingo: Paulo Conceição e Miguel a 

fazer o salto da represa

Domingo: o Miguel no reconhecimento 

de um rápido antes do sifão

 

Domingo: rápido a meio do percurso, antes do sifão

Domingo: portagem de um rápido

 

Vejam o nosso VÍDEO DA DESCIDA

divulgadas no Canoagem.Online:

 

V Í D E O

 

 

 

 

 

  23/12/2006 - Ribeira do ALVÔCO

No Sábado antes do Natal, fiz a última descida de 2006, acompanhado pelo Paulo Amado e pelo João Duarte, que assim ficaram a conhecer este percurso.  Foi igualmente a descida mais fria de que tenho memória:  este percurso caracteriza-se por ser dos mais frios - senão o mais frio - de todos os da Serra da Estrêla, embora não seja o que se desenvolva a grande altitude. 

Inicialmente, a ideia era revisitar o P.10 do Mondego, que apresentava um bom caudal mas, sendo apenas três, optámos por um percurso mais fácil, menos "stressante"...  Foi pena porque, inesperadamente, apanhámos esta ribeira com pouca água, talvez porque as temperaturas negativas que se faziam sentir desde há algumas semanas, mantinham congelada a água que a alimenta.  Por outro lado, e especialmente depois dos encontros de S. Martinho e de Videmonte onde descemos percursos com um caudal potente, esta descida desiludiu-me um pouco, pois foi demasiado fácil e ficou a "saber a pouco"...  mas valeu a pena, pela companhia e pelo ambiente que a seguir descreverei.

Ás 11.00h, todo o vale envolvente à Ponte Medieval em Alvôco das Várzeas estava completamente branco, de geada / gêlo.  Deixados alguns carros neste local (fim do percurso), rumámos à Barriosa, onde iniciámos a descida pelas 12.00h.

Toda a descida decorreu num cenário "pós-catástrofe":  depois dos fogos que devastaram esta região em 2004, deixando as encostas despidas de vegetação e com uma cor acinzentada, as enxurradas de Outubro / Novembro deste ano arrastaram toda a vegetação que restava nas margens, amontoando-a ao longo das mesmas, em massas de troncos descascados, ramos e árvores arrancadas pela raiz.  A água, gelada e cristalina, não convidava a banhos...

Pelo meio, nas zonas mais isoladas e em vários locais, vimos rastos (pegadas) nas margens que o Paulo identificou como sendo, possivelmente, de lontras...!  Uma boa notícia no meio daquele caos!

No último terço do percurso, o frio apertou ainda mais e, pelas 15.00h, atravessámos zonas com as margens brancas, ainda cobertas de gêlo.  A água, embora gelada, mantinha uma temperatura superior à do ar, provocando uma névoa sobre o rio, dando ao ambiente um aspecto fantasmagórico...

Eram 16.00h quando terminámos a descida, na Ponte Medieval de Alvôco das Várzeas, tendo os meus kompanheiros regressado a casa com um pouco mais de apetite para a Consoada que se avizinhava...!

Para o ano há mais!

  

O último açude antes de Vide

 

João Duarte no primeiro açude depois de Vide 

Paulo Amado num dos açudes depois de Vide 

 

.

Voltar à PÁGINA INICIAL

Pedro Carvalho   ( tlm: 967062711  E.mail: kompanhia@clix.pt

Enviar E.Mail

Ultima actualização:  14/03/2007