2008

Complementando as descrições dos vários percursos, apresentamos o nosso "Diário de Bordo", que não é mais do que uma descrição de algumas das nossas descidas, incluindo as efectuadas em rios diferentes dos descritos neste site e participações em descidas e encontros organizados por outras entidades.

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  20/01/2008 - Rio PAIVA

Com os rios da Serra da Estrela com pouca água, ainda não foi desta que conseguimos fazer a primeira descida (da totalidade) do "novo" P.1 da Ribeira do Alvôco, a nossa escolha inicial.  Daí que, nas vésperas, "virámos as agulhas" para o Paiva que, por relatos de pessoal que por lá andava naqueles dias, sabíamos que tinha caudal suficiente.  O percurso escolhido foi o clássico Espiúnca - Travanca, atendendo que, para mim e mais alguns de nós, seria a primeira descida desta época (no meu caso, já desde Abril de 2007...).  Para outros, como era o caso da rapaziada da Trans Serrano, era o primeiro e desejado contacto com o Paiva.  No final, parece que ficaram fãs...!

Seria a oportunidade - tantas vezes adiada - de revisitar este belo percurso, que havia conhecido no Encontro do CCABP em 2003, ainda com a minha canoa de dois lugares.  Apesar de, agora, o rio não apresentar o elevado caudal que encontrei nessa primeira vez (na praia de Espiúnca o nível estaria uns 0,5m mais baixo), ainda assim apresentava muitos e belos rápidos, alguns talvez a exigirem um pouco mais de manobras devido ao maior número de pedras à vista.  E com um esplêndido dia de sol e excelentes kompanheiros, a descida e divertimento estavam garantidos!

A concentração estava marcada para as 11.00h em Espiúnca.  Tive que arrancar de Lisboa ás 5.00h da matina, pois ainda tinha que fazer um desvio até perto de Gouveia para ir buscar o barco e equipamento.  Foi uma "estirada" de 6h até chegar ao Paiva, mas valeu a pena:  a vontade e saudades de fazer uma descida eram muitas...!

De véspera estavam garantidos oito participantes:  eu, três "Trans Serranos" (Paulo Silva, Pedro "Aigras" e Valdemar), os inseparáveis Frederico e Tiago Albuquerque (Pai & Filho!), o João Ramos e o João Pacheco.  À chegada ao local da largada (praia de Espiúnca), recebi um contacto do Manuel Felício que, juntamente com o Luís Costa, se vinham juntar a nós!  Estavam reunidos os "10 Magníficos"!  

Entretanto, o Frederico Albuquerque (Tuaregue Kayak Clube), no seguimento de anteriores conversas, ofereceu-me um exemplar do seu Diário de Bordo e o DVD (reportagem RTP) da expedição em kayak ao Círculo Polar Ártico, que organizou e participou em 1995, integrado numa equipa de aventureiros do Tuaregue Kayak Club.  Sem desvalorizar a amizade e companheirismo de nenhum dos muitos conheci ao longo da minha curta experiência nesta actividade, não posso deixar de salientar este jovem de cinquenta e tais anos (muito bem disfarçados), de cuja vasta experiência neste tipo de actividades só nos vamos apercebendo aos poucos já que, apesar de expansivo, excelente companheiro e contador de histórias, não é dado a alardear os seus "feitos", característica dos verdadeiros "experts"...  Pelo mesmo caminho parece seguir o filho Tiago - mais aparentando ser um irmão mais novo do Frederico -, que embora mais discreto é igualmente um excelente companheiro sempre pronto a ajudar, e inseparável companheiro de aventuras do "irmão mais velho".  Os Albuquerques que me desculpem, mas não pude deixar de fazer estes comentários. 

Mas voltando à nossa descida:  entre vestir as fatiotas (houve quem sentisse que os fatos "encolheram" desde a última descida, hehehe...), acartar com os barcos para a praia, deixar os carros no final (ponte de Travanca) e regressar, entrámos na água pelas 12.20h.  Antes disso porém, ao regressar do transfer dos carros, tive o prazer de encontrar o meu barco já praticamente cheio!!  A rapaziada que havia ficado na praia de Espiúnca à nossa espera, sabendo o quando demoro a "encher a mula", achou por bem ir adiantando o serviço e acabaram por amavelmente me subtrair da parte mais cansativa de toda a descida...  Afinal, pertencer ao Team Kondores e lançar umas lamúrias de vez em quando, tem as suas vantagens e desperta nos mais jovens o melhor do seu espírito solidário!  Ou será que já se lhes começa a despertar a curiosidade por um kayak insuflável?... (...tu queres ver que um dia destes...?)  Agradecendo pela preciosa ajuda, não me safei no entanto de ser o último a entrar na água... para não fugir à tradição!

Pouco depois, os primeiros rápidos recordaram aos mais esquecidos e aos estreantes deste rio que "estávamos no Paiva" e que este não nos ia desiludir!  O caudal era mais do que suficiente para nos garantir uma descida animada e, em alguns dos muitos e longos rápidos que este percurso nos oferece, várias foram as esquimotagens e até um ou outro banho.

Pelo meio da primeira metade, parámos para observar uma passagem do lado esquerdo que parecia querer agarrar e apresentava uma "drossage" do lado esquerdo.  Uns passaram (ver vídeo) outros portearam e a descida continuou.  A partir daqui, improvisei um apoio, no colete, para a máquina fotográfica fazer vídeos em "modo mãos-livres" e a coisa resultou mais-ou-menos (ver vídeo) .  Com o tempo espero aperfeiçoar o método e adaptar-me melhor ás funcionalidades da máquina, para daí resultarem melhores vídeos.

A descida lá continuou, com algum frio apesar do dia solarengo e, desta vez, por haver menos caudal, apercebi-me mais das zonas calmas do que em 2003.  Ainda assim, e contando com uma paragem a meio para comer uma "bucha", levámos apenas 3h a fazer a totalidade do percurso.

No final, toca a encostar à margem direita antes da ponte e do açude "que-se-não-tens-cuidado-ficas-lá-até-ao-Verão" e vai de trepar pelo carreiro até à estrada, onde havíamos deixado os carros.  Novamente uma alma caridosa me ajudou a acartar com a "burra" até lá acima...  ser do Team Kondores é que está a dar! 

Depois de vestir roupa seca, meter os "Tupperwares" em cima dos carros e desinchar a "burra", passámos por Espiúnca para resgatar os últimos carros e fazermos as despedidas finais.  Alguns de nós ainda fizeram uma paragem na "típica" padaria de Canelas, para enfiar umas sandes, umas "mines" e um café, antes de nos metermos à estrada.

Mais uma bela descida.  Para mim, a primeira desta época que se tem revelado tão avara em chuva...

Obrigado a todos os que participaram e espero que nos reencontremos em breve.  Na água, de preferência!  Seria bom sinal...

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Nos primeiros rápidos após a praia de Espiúnca.

Tiago Albuquerque e Pedro "Aigras"...

...seguidos pelo Frederico Albuquerque!

Manuel Felício em estilo...

...seguido pelo artista João Ramos!

Um dos primeiros rápidos longos do percurso.

Paulo Silva (Trans Serrano) e Pedro "Aigras" 

em 2º plano e... a banhos!

Pedro "Aigras" a "torcer" o kayak...

Inspeccionando a passagem mais "manhosa" 

do percurso.

Frederico Albuquerque a fazer a passagem...

João Ramos a fazer a passagem...

Tiago e Frederico Albuquerque.

Pausa ao sol... para a "bucha"!

Eu num pequeno rápido...

Valdemar (Trans Serrano) no rápido da ponte.

Eu no rápido da ponte.

Perto do final... últimos "cartuchos"!

 

 

Vejam um VÍDEO da descida: 

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V Í D E O

 

 

 

 

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  29/03/2008 - Alto MONDEGO (P.10)

A intenção era "estrear" o P.1 da Ribeira do Alvôco.  À chamada responderam o Frederico e Tiago Albuquerque, o João Duarte e o Vasco Moura, este último regressado ás descidas depois de um longo interregno.

Mas, chegados à Barriosa (final do percurso) e apesar da aparente razoável quantidade de água na fraga (Poço da Broca), o leito em geral apresentava um caudal baixo, com muita pedra à vista, como confirmámos depois de arrancar da Barriosa, rumo ao início do percurso (Vasco Esteves de Baixo) acompanhando o Alvôco pela sua margem direita.  

Com um belo dia de sol como estava, com uma água transparente como é hábito nesta ribeira (e ainda mais neste percurso superior) e com uma bonita paisagem serrana a envolver-nos, ficámos ainda mais ansiosos pela futura descida deste percurso.  O Tiago, até já se dispunha a saltar a fraga da Barriosa, mas o encontro com esta e as restantes duas fragas destes percurso - visíveis da estrada e que "chamavam" por nós - ficou marcado para uma próxima oportunidade, assim que haja água a "sério"!

E assim, novamente tivemos que mudar para um "Plano B", previamente delineado para esta eventualidade e seguindo uma sugestão do Jojo:  fomos para o Mondego, indecisos quanto ao percurso a descer, o P.10 ou o P.11...

Toca de arrancar, agora em direcção à Ponte Palhez, passando por Alvôco da Serra, Loriga e Seia...  Pelo caminho, decidimo-nos pela segunda parte (7km) do P.10 do Mondego, em vez dos 13km do P.11, que se podiam revelar demasiado longos devido ao adiantado da hora e do tempo que o transfer nos tomaria antes e depois da descida.

Pelas 13.30h, chegados à Ponte Palhez (final do P.10) verificámos - com alegria! - que o rio levava um caudal razoável.  Com a pouca chuva que tem caído e dependendo das descargas da Barragem do Caldeirão, a montante, a existência de um caudal suficiente é uma autêntica lotaria!  Mas desta vez saiu-nos um bilhete premiado e fomos recompensados pelas poucas horas de sono e pela viagem!  

Vestir e arrancar para o início do troço escolhido levou-nos uma hora e, pelas 14.30h estávamos a entrar na água.

A descida levou umas 3h a ser feita - incluindo a portagem, algo cansativa, da zona dos sifões - e decorreu da melhor forma.  Esta parte do Percurso 10 é muito animada e, apesar do caudal ser apenas pouco mais do que o suficiente, foram muitos os rápidos e alguns saltos onde nos divertimos e, sendo um grupo pequeno, deu para o Frederico e o Tiago se dedicarem a filmar as melhores passagens.  Ficamos a aguardar o vídeo deles, que certamente e como é hábito, será excelente.  Eu captei alguns clips de vídeo ao longo da descida, de bastante menor qualidade, que condensei num pequeno filme que coloquei no Youtube e cujo link é indicado no final da secção das fotos desta descida.

Terminámos este dia em amena cavaqueira, num restaurante em Pinhanços (Seia), "acompanhados" de morcela frita, uns pregos no prato e... umas cervejinhas para empurrar!

Enquanto eu e os Albuquerques regressávamos a Lisboa, o João e o Vasco aproveitaram a viagem e ficaram lá para o dia seguinte, para acompanharem o Jojo e os seus formandos na descida do P.11 (o percurso seguinte ao que havíamos feito).  Mas, infelizmente, parece que tiveram menos sorte com o caudal...

Mais uma bela descida, em boa kompanhia (sempre).  Para mim, apenas a segunda desta época "tão seca".  Espero que, antes dela terminar, ainda consigamos descer o tão desejado P.1 do Alvôco!...

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A fraga da Barriosa (Alvôco).

O Tiago Albuquerque a inspeccionar a fraga...

...para um futuro salto!

Início do percurso, na ponte de Vasco Esteves de Baixo:  o Alvôco estava sem água! 

Frederico a filmar o Tiago no topo da fraga.

Já no Mondego, em Ponte Palhês...

A jusante da ponte, o rápido inicial do P11...

A montante da ponte, ao fundo, o final do P.10...

Frederico depois do primeiro rápido.

A descida continua... belas paisagens...

O João no segundo rápido.

Portagem na zona dos sifões...

Após a zona dos sifões.

Uma zona calma a anteceder...

...um salto!

Após mais um rápido...

Frederico a descer a rampa do final do percurso.

Hora de carregar a "burra" antes do petisco e zarpar para Lisboa...

 

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VÍDEO da descida: 

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V Í D E O

 

 

 

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  13/04/2008 - Ribeira da LORIGA

A intenção era - pela "enésima" vez - "estrear" o P.1 da Ribeira do Alvôco.  Desta vez parecia quase certo, pois havia chovido bem na semana anterior e sabíamos que os rios haviam atingido níveis elevados...  Mas chegámos dois dias atrasados e o caudal já havia baixado bastante naquele primeiro percurso do Alvôco!  É que, apesar de ser o "primeiro" é relativamente largo e, por isso, só estará navegável em raras ocasiões, logo após boas chuvadas ou forte degelo.

No entanto, a jusante da Barriosa o Alvôco parecia ter um caudal razoável - sinal que havia água nos rios da região - e assim, optámos por ir espreitar o nível da água na Ribeira da Loriga, "ali mesmo ao lado" (é afluente do Alvôco).  Pareceu-me que estava com um pouco mais de água do que na última vez que a tínhamos descido (Fevereiro de 2006).  Se nessa altura, embora com pouca água, tínhamos conseguido descê-la, melhor a desceríamos agora.  E seria uma boa oportunidade para dar a conhecer esta bela ribeira aos meus (nove) kompanheiros que, excepto o Pedro Marquês (que a tinha descido comigo da outra vez), não a conheciam.  E o facto de não levar muita água até seria bom, pois alguns de nós poderiam não se sentir muito à vontade com um caudal elevado o que, nesta ribeira, significa cuidados acrescidos e exigência de um nível técnico razoável. 

Escolhido o ponto de saída - em Vide, depois do açude à saída desta localidade - toca de nos vestirmos e aí deixarmos alguns carros com a roupa seca.  Depois, zarpámos para Cabeça, o início do percurso que, recorde-se, tem 10km:  8km na Ribeira da Loriga e, depois desta desaguar na Ribeira do Alvôco, mais 2km nesta última. 

Em Cabeça, houve que descer a encosta até ao leito da ribeira, cerca de 100m de desnível pelo meio de caminhos de cabras algo escorregadios...  o pessoal meteu-se na água com o aquecimento já feito!  Uma estafa à nossa moda...

Apesar do pouco caudal - que até foi subindo a partir do meio da descida, resultado da chuva que entretanto foi caindo -, deu para a apreciar todas as potencialidades deste percurso:  enquanto facilmente se conseguia imaginar os belos rápidos que se formariam com mais água, sempre muito seguidos e mantidos, muito encaixados num leito por vezes muito estreito, a beleza do percurso, essa era clara e totalmente visível, apesar do tempo encoberto que sempre nos acompanhou.  As fotos não fazem justiça a essa beleza e à sensação de forte adrenalina que se adivinhava que este percurso - especialmente nos 4km iniciais - nos proporcionaria com mais água (era só "mais um palmito de água", como o Jojo dizia...).  Ou seja, esta segunda descida - à semelhança da primeira que fizemos nesta ribeira - só nos deixou (pelo menos a mim) ainda mais vontade de lá voltar...!!

No entanto, o percurso inspira alguns cuidados, principalmente por causa da muita "lenha" que nele se encontra atravessada, formando-se verdadeiras armadilhas (sifões) que, com mais água e mais corrente, seriam difíceis de evitar devidos aos rápidos quase contínuos.  Já para não falar nas árvores que "decidem" cair quando estamos a passar sob as mesmas... O Pedro Marquês que o diga!

No final dos primeiros 4km, em Casal do Rei, a coisa acalma um pouco mas mantém-se interessante.  E é também a partir daí que surgem os saltos (açudes) de maior altura, uns três com cerca de 4m de altura, sendo que o último, antes de Muro, foi porteado porque a recepção era muito baixa e rochosa.  

Em Muro, encontramos o obstáculo mais complicado do percurso, um salto ("cortada") com 10/12m de altura, que deve ser porteado - a menos que se seja um pouco louco para tentar saltá-lo de kayak.  Desta vez, na portagem, decidi não me estafar a acartar com a minha barcaça pela encosta acima / encosta abaixo e decidi lançá-la na corrente e "forçá-la" a fazer o "Salto".  Só que o barquito tem tanta coragem quanto o dono e decidiu não passar do primeiro patamar do salto e por ali ficou ás voltas, "agarrado" nos redemoínhos que ali se formam...!  Sem meios de o alcançarmos, já fazia contas em fazer o resto da descida a nado e voltar no Verão para resgatar o raio do barco, quando o Frederico se lembrou de um processo que, através de uns pesos (pedras) atados a cordas e atirados para dentro do barco, conseguiu, após muitos esforços, desviar a barcaça da influência dos ditos redemoínhos, dirigi-lo para a corrente principal e, finalmente, fazê-lo dar o "salto"!   Outros kompanheiros houve que, depois de chegarem ao topo da encosta, decidiram lançar os kayaks logo dali para a água... uns 17m mais abaixo!

Esta trapalhada roubou-nos um pouco de tempo e daí para a frente acelerámos a "marcha".  Pouco depois entrámos na Ribeira do Alvôco onde, no primeiro açude que encontrámos, nos reunimos ao grupo dos mais adiantados que por lá já andavam à pesca de um kayak, "agarrado" no rolo que se formava na base do salto devido ao bom caudal que agora se fazia sentir...   Ainda deu tempo para os mais atrevidos fazerem este salto (ou repeti-lo), não antes se ter montado a segurança que, diga-se de passagem, era bem necessária e funcionou na perfeição...

Daí para a frente, excepto mais dois açudes, não houve nada a assinalar, já que este troço do Alvôco não tem nada a ver com a Loriga... Em Vide, atravessámos a vila sob o olhar (certamente admirado a avaliar pelas exclamações) de algumas dezenas de locais que não devem perceber o que "aqueles malucos estão para aqui a fazer no rio, com este frio, quando podiam estar quentinhos e descansados em suas casas..."  A descida terminou com um último salto, após o que "encostámos ás boxes" e arrumámos a trouxa, pois a descida havia levado umas 5.30h...

Depois, foi só resgatar os veículos que tinham ficado no início do percurso e assentarmos arraiais no Restaurante "Guarda-Rios", na Barriosa, mesmo ao lado da Ribeira do Alvôco.  Não podia haver um final mais bem apropriado!

Bem, o jantar do melhor, num ambiente aquecido por uma lareira e por um excelente convívio.  Saímos de lá só pelas 10h da noite, mas apenas porque tínhamos uma longa viagem de regresso pela frente... senão ainda lá estávamos!

Obrigado a todos pela companhia e pela bela descida:  Emanuel Jordão, Frederico e Tiago Albuquerque, João Duarte, Henrique Costa, Jojo, Paulo Amado, Pedro Marquês e Vasco Paulo.

A seguir podem ver algumas fotos e clicar no link do vídeo.  

Podem ver mais fotos, tiradas pelo Pedro Marquês, no respectivo blog:  http://kayakfoto.blogspot.com/ 

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Em Vide (final do percurso)

O acesso à ribeira.

Jojo a iniciar a descida.

Um pequeno rápido...

Uma pequena passagem... com ramos!

No final de um pequeno rápido...

O Pedro Marquês a "levar com a árvore" em cima!

(Não ganhaste para o susto!)

Pedro Marquês num pequeno salto.

O Frederico no mesmo salto...

A rapaziada à espera, depois do salto.

Tiago a admirar a paisagem...

Um açude alto depois de Casal do Rei...

Paulo Amado a saltar o açude!

 

Portagem de outro açude alto, antes de Muro...

Henrique (à esquerda) no topo do açude.

Frederico a escorregar para a água.

 

O "SALTO" (Cl. VI), em Muro...

 

Frederico a espreitar a zona alta do Salto...

...e um kayak voador!

No Alvôco:  Frederico a fazer um salto "pegajoso"...

...e o Tiago a ir lá buscá-lo!

Tiago no final do Salto.

No Alvôco:  último açude, antes de Vide.

Restaurante "Guarda-Rios", na Barriosa, mesmo ao lado da Ribª do Alvôco.

 

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  03/05/2008 - Alto MONDEGO (P.11)

Esta foi a minha quarta descida desta época e a última até à época seguinte.  Até lá, apenas umas possíveis "estafas" durante o mês de Agosto. 

Esta descida estava combinada para o fim-de-semana anterior, com mais pessoal, mas um contratempo obrigou-me a adiar a "despedida" por uma semana.  Os que a fizeram naquela data apanharam um bom caudal e eu estava com esperança de ter a mesma sorte, até porque o Jojo havia feito o P.10 e o P.11 nos dias anteriores com um bom nível de água (tão bom que terá descido os dois percursos de seguida e no mesmo dia, chegando até a passar sobre a zona dos sifões do P.10 sem necessidade de portear...).

Ainda pensei em experimentar o P.4 e, nesse sentido, bem cedo pela manhã fui até ao início deste percurso, a ponte junto a Vila Soeiro, para ver como estava o rio e se a barragem estava a turbinar (a descarga é feita logo no início do P.4).  Na Central informaram-me que iam iniciar a turbinagem ás 9.00h e que se prolongaria durante quase todo o dia.  Vai daí, falei com o Nuno Ribeiro e o Figas (os kompanheiros que haviam respondido à chamada) e combinámos encontrar-nos ás 11.00h no início do P.11.  De acordo com os participantes, pareceu-me ser mais aconselhável fazer aquele percurso, já conhecido, do que experimentar o P.4, totalmente desconhecido.  E a presença de um sifão logo no início deste percurso - embora a "seco" - ajudou à decisão.

Entre equipar e fazer os transfers dos veículos, só começámos a descida lá pelas 13.00h.  Ao contrário do previsto, o nível da água já começava a descer, embora ainda apresentasse um bom caudal, o melhor que até então eu havia encontrado neste percurso.

O Nuno ia montado na minha canoa insuflável, de dois lugares, mais estável e segura que o kayak que normalmente costumava levar.  Assim, e porque éramos apenas três, a descida decorreu rápida - apenas 3.30h - e sem problemas.  Fizeram-se todos os rápidos, excepto o rápido da pedra, que estava bastante forte e o grupo não era suficientemente uniforme para assegurar uma segurança eficaz.

Pelo caminho, tivemos oportunidade de ver alguma da bicharada que habita no rio: uma família de três lontra e muitos cágados.

No final, o Figas teve que zarpar rapidamente, mas eu e o Nuno ainda fomos petiscar alguma coisa.

Uma boa descida para finalizar esta época que tão pouca água e oportunidades nos havia oferecido para fazermos mais descidas...  Curiosamente, o mês de Maio ainda havia de nos presentear com alguma chuva, permitindo que se fizessem ainda mais algumas descidas, mas não para mim, que já havia decidido "fechar a loja"...  Espero que a próxima época nos permita organizar os encontros que, nesta, não foi possível fazer:  S. Martinho, Videmonte, Ceira...   

Até lá, teremos as "ESTAFAS" em Agosto!

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O final do Percurso 3...

...e o início do Percurso 4, com um sifão logo no princípio!

O Figas e o cágado (o cágado em 1º plano...)

O Nuno a terminar um rápido...

 

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  AGOSTO de 2008 -  NOVAMENTE... AS ESTAFAS DA KOMPANHIA!  

Agosto é o mês do calor (ou era...), de rios com pouca água, de férias na Serra, do regresso dos emigrantes à sua terra, das festas nas aldeias e também... de algumas "ESTAFAS" típicas da Kompanhia das Águas, daquelas de "cortar a respiração"... pelas belas paisagens, claro!!... 

Vários foram os/as que caíram na asneira de nos akompanhar e alguns eram "repetentes" das estafas do ano passado! 

Posso confirmar que este ano as terminámos todas bem estafados - uns mais que outros e alguns nem por isso, como se verá adiante -, por isso as actividades escolhidas fizeram justiça ao seu nome!  Não que os/as participantes não soubessem para o que iam mas, mesmo assim, espero que para o ano desejem repetir a experiência!  

Talvez em 2009 se organize algo mais "á séria", com mais apoios, pois não é só com descidas de rio que nos divertimos na Serra:  no Verão, esta tem para nos oferecer muitos percursos para outras actividades, dando-nos hipótese de desfrutarmos de paisagens e locais que, no Inverno, com chuva, vento e frio, são muito difíceis de alcançar.   E por falar em chuva, vento e frio, até em Agosto se apanham, como adiante se verá...!  Já não existem Verões com antigamente...  

Pensando também nas descidas da próxima época, entre as estafas havia propostas de reconhecimentos de novos percursos de rio, como era o caso do Percurso 4 do Alto Mondego que, infelizmente, ainda não foi desta que o conseguimos fazer.  Também ficará para uma próxima oportunidade a descida (a pé e cannyoning, a avaliar por algumas pendentes) dos primeiros percursos do Alva, desde o Sabugueiro até V. Cova à Coelheira, passando pela Srª do Desterro.  Mas estes terão que ser preparados com algum cuidado, pois podem estar sujeitos a descargas da barragem...

Das ESTAFAS que fizemos, aqui deixamos as respectivas descrições e fotos que, espero, vos deixem com pena de não nos terem akompanhado e com o desejo de nos akompanharem em 2009!

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7 de Agosto:

VISITA ÁS FIGURAS RUPESTRES DE FOZ CÔA

(ou)

"O PASTOR ERA CÁ UM ARTISTA..."

Aceitando um desafio do Paulo Amado, eu e o Henrique Costa (da Guarda), fomos conhecer as figuras rupestres de Foz Côa, tentando chegar a elas pela água, de kayak.  

Nesse sentido, fomos à procura de um local de acesso ao plano de água da barragem, numa zona perto da povoação da Muxagata, a montante do local das gravuras.  Para lá chegar e baseados apenas em informações algo vagas, tivemos que atravessar uma extensa zona agreste, por estradões de terra batida por vezes em muito mau estado - chegámos a andar pelo leito seco de uma ribeira -, debaixo de um sol impiedoso e de uma poeira que se entranhava por todo o lado.  Cheguei a ter pena da carrinha do Paulo Amado, que a todos nos carregou, que tanto "sofreu" por aqueles caminhos, mas que se portou muito bem!

Por vezes parecíamos ter sido transportados para as terras ardentes da Palestina, até que chegámos ás vinhas da Ramos Pinto (estamos na região do Douro), a perder de vista - provavelmente teriam sido submergidas pela barragem, tal como as gravuras -, atravessadas por inúmeros caminhos, quase idênticos, e de entre os quais teríamos que descobrir aquele que nos levaria à água, até agora ainda nem sequer vislumbrada...

Não sei como, mas lá conseguimos chegar à beira do rio, um plano de águas calmas formado pela barragem.  Pensava que poderia finalmente refrescar-me com uma banhoca, mas logo mudei de ideias, porque a água estava cheia de algas, o que lhe conferia uma tonalidade verde, que apenas foi atenuada quando chegámos à parte mais profunda.

Vai de pagaiar por belas paisagens, o Paulo no seu kayak e eu e o Henrique na minha velha canoa insuflável de dois lugares.  

Ao fim de uma hora, hora e meia, lá chegámos a um dos locais onde se podem observar as ditas gravuras.  Quando lá chegámos, um grupo de visitantes estava a terminar a sua visita.  

Aguardámos que se fossem embora e toca de encostar os barcos, subir a encosta onde estão espalhadas as gravuras e... começar à procura da melhor sombra para comermos o petisco, porque o sol não estava para brincadeiras!  

Pelo caminho aproveitámos para observar as tais gravuras, gravadas no xisto que, dizem uns, foi feito há milhares de anos pelos homens da Idade da Pedra Lascada (Paleolítico...) ou, segundo outros, há bem menos anos por algum pastor com jeito para o desenho e que - entre insultos à cabra que se tresmalhava e uma pedrada ao bode que se andava a meter em cima da cadela -, se dedicou a gravar umas imagens do gado que pastava.  

Eu cá, que sou um bocado ignorantes nestas coisas, não sei em que versão acredite.  O que eu sei é que já não se fazem pedras de xisto tão resistentes à erosão como as que se faziam nos tempo do homem primitivo.   Uma laje de xisto, totalmente exposta à intempérie, que conserva gravuras em (muito) baixo-relevo, durante milhares (talvez dezenas de) de anos... é obra!   

Mas para que não digam que sou "maldizente" e ainda mais ignorante do que julgo ser e para que possam avaliar pessoalmente este dilema, aqui vos deixo um link para o site do PARQUE ARQUEOLÓGICO DO VALE DO CÔA http://www.ipa.min-cultura.pt/coa/   (gostei especialmente da parte dos cartoons)

Bom, mas voltemos ao que interessa:  o Henrique, que desde o início andava a carregar uma caixa estanque (que até então eu não tinha percebido para quê... mas há que dar um desconto pois sou um bocado "tapado"!), na hora do petisco saca de lá três cervejas fresquinhas e uma bela chouriça feita pela mãe!  Este Henrique não deixa nada ao acaso:  a chouriça acompanhada com a cerveja estava "daqui" e... assim terminámos a nossa visita ás gravuras.

Do caminho de volta ao local onde havíamos deixado o carro nada a assinalar, apenas que o sol parecia estar mais quente e as pagaias cada vez mais pesadas...

Encontrar o caminho de regresso pelas vinhas da Ramos Pinto e destas até povoação de Muxagata foi outro mistério que ainda não consegui perceber.

Para não variar, terminámos esta (primeira) estafa à volta de mais um rico petisco (umas moelas bem temperadinhas...) a que o Paulo nos convidou, na Cógula.  Agradeço-lhe não só o petisco, mas principalmente esta estafa, sem a qual, tão cedo não conheceria as gravuras de Foz Côa.

Remar, remar, remar...

Pausa à sombra do penhasco.

O local das gravuras.

No cimo, um grupo de visitantes.

Ao fundo, o paredão da barragem.

A primeira gravura! É um cavalo! Ou será um búfalo?...

E outra! Esta é que é um búfalo! Ou um antílope...

E mais outro... bicho...

E... mais uma... será o bode em cima da cadela...?

...outra... (então quando é que a gente come alguma coisita?...)....

Finalmente, o melhor da visita:  um petisco e umas cervejecas fresquinhas à sombra das gravuras!  Que luxo!!!...  Mas o Paulo já estava a pensar em tudo o que tinha de remar no regresso...

As vinhas da Ramos Pinto... qual o caminho a escolher?!

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9 + 10 de Agosto:  

FIM-DE-SEMANA NA LORIGA

(ou)

"AGUENTAS MAIS DO QUE UM MIÚDO DE 10 ANOS?"

Esta estafa (dupla), dedicada à bonita zona da Loriga, foi a única com data marcada previamente já que este era o único fim-de-semana disponível em Agosto para para alguns dos participantes "pré-inscritos" se deslocarem à Serra.

Fazia sentido juntar as duas estafas, pois fazem-nos percorrer dois percursos consecutivos da Ribeira da Loriga, dando a conhecer toda a região que antecede um dos mais belos percursos de canoagem de águas bravas da Serra da Estrêla, o P.2 da Ribª da Loriga.

No primeiro dia faríamos uma caminhada de 10km, da Torre até à povoação de Loriga, 1.200m mais abaixo.

No segundo dia faríamos uma "caminhada aquática" com cerca de 4,5km - em estilo cannyoning nos primeiros 1,5km -, de Loriga até Cabeça, o P.1 da Ribª da Loriga.

Já havíamos tentado fazer este programa de dois dias no ano passado mas, por motivos vários, acabou por se fazer apenas o cannyoning - com o João Duarte, o Vasco Moura e o Nuno Ribeiro -, tendo sido feita a caminhada alguns dias depois.  Consultem o Diário de Bordo 2007.

Certamente voltarei a propor este programa para um fim-de-semana de Agosto de 2009, mas dessa vez com o percurso do segundo dia reduzido apenas aos primeiros 1,5km, os mais interessantes, evitando assim o prolongamento da actividade para além do recomendável aos que, ainda nesse dia, tenham que efectuar uma longa viagem de regresso a casa.  Tal não foi possível fazer já este ano, pois só algumas semanas depois é que consegui recolher as informações necessárias para efectuar o reconhecimento dos caminhos de acesso intermédio ao percurso, que permitem reduzi-lo à distância referida.  Agora, havendo a possibilidade de aceder à ribeira naquele ponto, quando haja água suficiente será possível descer de kayak os últimos 3Km deste percurso (P.1) os quais, com mais de 2% de inclinação geral, nunca terão sido ainda descidos dessa forma!

Desta vez consegui reunir um grupo de 8 aventureiros/as para se fazerem as duas actividades no mesmo fim-de-semana, assim restasse algum fôlego para o segundo dia...  Para além de mim, compareceram:  o Frederico Albuquerque, a esposa - Suzete Albuquerque - e um dos filhos (o Miguel, de 10 anos, que rapidamente ficou conhecido como "Duracell-Kid" ou "Miguel-Duracell"), o Paulo Amado, o João Duarte, o Vasco Moura e a irmã (Maria João).  A Suzete, o Miguel e a Maria João, apesar de estreantes nas nossas estafas, aguentaram-se tão bem ou melhor que os restantes, com especial destaque para o Miguel que, apenas com 10 anos, acabou cada uma das estafas tão fresco como quando as começou! 

Dia 9 (Sábado):  CAMINHADA na GARGANTA DE LORIGA

Com o Paulo Amado, fomos encontrar-nos com o João, o Vasco e a Maria João em Loriga pelas 9.30h, onde tomámos um café antes de nos pormos a caminho da Torre (o início do percurso), onde nos esperavam o Frederico, a Susete e o Miguel.  

Lá chegados e feitos os preparativos finais, perto das 11.30h começámos a descer este percurso pedonal, um dos mais belos da Serra da Estrela, em que, ao longo de 10km se descem mais de 1.200m de altitude.

Logo de início, com a presença de alguns rebanhos "típicos", surgiram motivos para tirar algumas fotos.  Houve quem fotografasse o cão que guardava as ovelhas, as ovelhas, o pastor ou simplesmente os amigos.  Houve também quem preferisse filmar... as bostas que por lá estavam "semeadas"!... (ó Frederico, estou curioso para ver como utilizaste este motivo no vídeo)

Em algumas partes da descida verificámos as boas condições acústicas das zonas que atravessávamos, em forma de anfiteatro, pois ouviam-se claramente as nossas conversas à distância de muitas dezenas de metros (por vezes, certamente a mais de 100m).

Apesar de assinalado com marcas nas rochas ou montículos de pedras, por vezes desviávamo-nos do trilho principal, o que até foi bom pois íamos vendo outras zonas, em especial a parte superior de uma cascata que cai na vertente esquerda do Covão do Meio.

O tempo estava óptimo, sem estar demasiado quente.  Apesar disso, depois do Covão do Meio (onde existe uma barragem que se encontrava vazia) e chegados ao Covão da Nave, decidimos fazer uma pausa junto a uma pequena lagoa, de águas frias e transparentes, onde aproveitámos para tomar um refrescante banho e comer a "bucha".  Ao contrário das duas vezes em fiz este percurso no ano passado, neste Covão não haviam rebanhos de ovelhas.

Gosto especialmente da descida deste Covão para o seguinte, o Covão da Areia, das paisagens e amplitude que se desfrutam.

Depois do Covão da Areia, entrámos no trilho da vertente direita da Garganta que nos levaria até Loriga, cerca de 700m mais abaixo.  Pelo seu piso mais irregular e inclinado, esta é a parte do percurso que mais custa aos que já venham mais cansados ou com os pés mais castigados...  Umas botas de caminhada confortáveis e meias apropriadas (das que repelam a transpiração) são essenciais!!

Teremos chegado a Loriga pelas 18.00h.  Como não podia deixar de ser, a primeira coisa que fizemos foi enfiar-nos no "Vicente" e petiscar uma morcelas fritas e umas belas fatias de queijo da serra, etc, etc...  Depois, enquanto eu, o João e o Frederico fomos buscar os veículos que tinham ficado na Torre, os restantes foram até ás piscinas naturais de Loriga, na base da Garganta, para tomarem um banho refrescante, banho esse que nem eu dispensei - mesmo depois do petisco... - quando, perto das 20.00h, lá nos reunimos todos.

Depois disto, foi hora de se começar a preparar a dormida consoante os gostos - acampando, num hotel ou na própria casa -, pensando já na estafa do dia seguinte!

11.30h: Início, junto à Tôrre. O cão está lá de propósito para o turista o fotografar...

... bem como um belo exemplar de... bosta!

Deixem-se de fotos e ponham-se a andar!

11.50h: A primeira lagoa, no Covão das Quelhas.

Paulo Amado (em cima à direita)

Frederico (ao centro)

Continuando a caminhada.

Um exemplo da flora local, em floração tardia.

13.15h: Um rebanho de cabras a pastar no leito da barragem vazia (Covão do Meio).

Covão do Meio: o Frederico e as suas filmagens.

Paredão da barragem do Covão do Meio.

Subida das escadarias ao lado da barragem.

14.00h:  Covão da Nave  

Uma banhoca bem fresquinha, 

numa pequena lagoa!

O Grande "MIGUEL-DURACELL" !

No mesmo local, 

a comer a bucha 

depois do banho.

 

15.00h:  Susete e Frederico saíndo do Covão da Nave em direcção ao Covão da Areia.

A descida para o Covão da Areia (ao fundo).

15.30h: No trilho após o Covão da Areia, 

com Loriga à vista e a 

Serra do Açor como 

pano de fundo.

Não parecia, mas ainda 

faltavam descer 600m (em altitude)

 

 

 

 

Dia 10 (Domingo):  CANNYONING no Percurso 1 da RIBEIRA DA LORIGA

Reunião marcada para as 10.00h em Loriga.  Os atrasos do costume, depois o cafezinho no "Vicente" mas, apesar das indecisões próprias de quem havia ficado moído(a) do dia anterior, todos(as) os participantes do dia anterior responderam à chamada, excepto o Paulo Amado, que já tinha outros compromissos para este dia.

Equiparmo-nos e tratar do transfer dos veículos de Loriga para Cabeça, levou a que só depois das 12.00h iniciássemos a descida do caminho de acesso até à ribeira.   E só depois das 13.00h nos começámos a meter na ribeira, iniciando os primeiros banhos e esta estafa que se havia de prolongar até ás 21.00h!  

O ano passado havíamos levado cerca de 6.30h a fazer este percurso de 4,5km, mas este ano, com mais participantes, levámos mais de 8.00h...  Mas esta foi a última vez que se fez a totalidade do percurso pois, algumas semanas depois, consegui fazer o reconhecimento do caminho que permite a saída no final da parte mais interessante ou seja, os primeiros 1,5km, junto à fraga.  E o caminho tem condições para, com algum cuidado, se poder lá chegar de carro!  Quem mais sofreu nos 3km seguintes e tiver acabado de ler estas linhas, deve-me estar a amaldiçoar por eu não ter conseguido saber desse caminho a tempo de o podermos usufruir nesta estafa, o que nos teria poupado 4.00h de caminhada... 

Bem, quanto à descida, o que há dizer?  Os tais primeiros 1,5km, com cerca de 8% de inclinação geral, foram uma maravilha, com muitos saltos, muita emoção e adrenalina, novamente - e à semelhança do dia anterior - com o Miguel ("Duracell") sempre à frente do grupo!  

Quem já havia feito este percurso o ano passado (eu, o João e o Vasco) ia recordando os saltos e as passagens e, incluindo a falta de capacete no João (!!), íamos equipados de uma forma mais ligeira.  Já o Frederico havia de se arrepender de acartar com um mochilão demasiado volumoso e pesado para uma caminhada deste tipo.  Por outro lado, há que louvar a sua persistência em ir filmando as melhores partes da descida, que lhe exigia carregar também com a caixa estanque do vídeo.  

Essencial também, é levar uns peúgos de neoprene grossos em vez de meias normais, por causa do areão que inevitavelmente se enfia para dentro das botas...

Nesses primeiros 1,5km, que duraram cerca de 4.00h a ser feitos - incluindo uma paragem para a "bucha" - houve muitos saltos e alguns deles provocaram algumas hesitações, o que até contribuiu para elevar a emoção!  Mas como não havia meio de os contornar, não houve outro remédio senão atirar-nos lá de cima... com alguns berros pelo meio ("aaaahhhiiii!!"...).

Esta parte do percurso é verdadeiramente bonita e relaxante, sem ser demasiado exigente e, por isso, acessível a praticamente toda a gente.  Uma das melhores "estafas" que se podem fazer na Serra, no Verão!  

Chegados à fraga que assinala o final desta primeira parte, ainda se pensou em procurar um caminho de saída ( o tal que eu só haveria de conhecer umas semanas depois), mas um pastor anormalmente mal-humorado, talvez a meio de uma grande ressaca / bebedeira, perdão, a meio da sua tarefa de vigiar "atenta e eficientemente" um pequeno rebanho de cabras - o pastor estava no cimo dum penhasco na margem direita da ribeira, as cabras estavam bem afastadas e na margem esquerda... e nós, aparecemos calmamente no meio... -, sem nos dar tempo a dizer mais do que as "boas-tardes", vai de nos mimosear com um extenso conjunto de títulos e adjectivos, desde "filhos da p...", "cabr... do car...", "vão pó raio que vos parta seus...", "...só servem para espantar o gado...", acompanhados de muita gesticulação de braços, como se o sacana do homem estivesse a ser atacado por um enxame de abelhas (antes estivesse...).  Até porque estavam ali duas senhoras e um petiz de 10 anos, achámos por bem continuar o nosso caminho e deixar o homem a falar sozinho e tão entusiasticamente da respectiva família...

Iniciámos pois, a caminhada dos restantes 3km, mas agora num percurso totalmente diferente que, embora bonito, com muitas zonas para nadar e vários saltos (tem uns 3 ou 4 açudes, alguns bastante altos), não tem nada a ver com aquilo que havíamos passado.  Quando houver água, estes últimos 3km serão bons para serem descidos de kayak, podendo ser feitos cumulativamente ao percurso seguinte (o P.2) mas, para nós, foi um troço que dispensaríamos ter feito, pois prolongou a descida até ao cair da noite.  De tal modo que, pelo menos a última meia hora, foi feita com recurso a uma lanterna e alguns bastões luminosos que o Vasco achou por bem levar na mochila (homem prevenido vale por dois).  Apesar de sabermos que não íamos encontrar situações complicadas, foi reconfortante começar a avistar algumas casas (iluminadas) na encosta e chegarmos - finalmente - à ponte que assinala o início do P.2 e o acesso à povoação de Cabeça.  Do leito da ribeira à povoação ainda tivemos que subir 100m (em altitude) por caminhos de cabra, mas que nunca nos souberam melhor!

Depois de nos vestirmos arrancámos de Cabeça e já passava das 22.00h quando chegámos a Loriga para resgatar um dos veículos que lá havia ficado e para o pessoal ir ao "Vicente" (que, pelos vistos, está aberto até bastante tarde) petiscar rapidamente qualquer coisa antes de zarparem para Lisboa...  Infelizmente, já não pude ficar para o petisco.

Espero que todos tenham gostado desta "aventura", apesar de "estafante" e da hora tardia a que terminou...  Mas estas coisas são mesmo assim e são delas que mais tarde nos havemos de recordar!  Para o ano lá vos espero novamente!  Entretanto, enquanto aguardamos pelo VERDADEIRO VÍDEO, do Mestre Frederico, vão-se entretendo com as fotos e um videozeco mais reles e artesanal feito por mim... 

12.30h: Descendo da povoação de Loriga 

até à ribeira com o mesmo nome.

"Miguel-Duracell"

13.20h:  O primeiro banho...

Também se aproveita para relaxar...

Maria João

13.45h:  A Maria João no início da parte mais acidentada do percurso.

Ora aí está...

14.00h:  O João a atirar-se no primeiro poço!

O Frederico a preparar-se para o mesmo salto...

"Miguel-Duracell"... à espera dos "cotas"!

14.20h:  Uma passagem mais acrobática...

Imaginem isto com água!

Maria João (num buraco feito à medida), 

Susete e o Vasco

"Miguel-Duracell" 

("Papá, mamã: agora sem mãos!")

Frederico a esganar o filho

14.50h: À beira de mais um salto: "Miguel-Duracell", Susete e Maria João ("venham que está boa!")

15.00h:  Outro salto... a concentração do atleta... 

("Silêncio, por favor...")

(Ó Frederico, não é para esse lado!)

16.30h: Depois da "bucha", mais um pequeno poço.

E a coisa continua...

João Duarte na "Chuva de Estrelas"!

João Duarte e "Miguel-Duracell"

17.15h: Na base da "Fraga do Pastor Resingão", junto ao belo poço de águas transparentes...

19.00h: Já começava a ficar tarde e ainda havia tanto para caminhar (faltavam mais 2 horas!)

 

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17 de Agosto:  

BTT na região da Srª de Assedasse, Covão da Ponte,...

Concentração marcada para as 9.00h em Folgosinho. 

O dia escolhido foi o mesmo em que a Volta a Portugal em Bicicleta passou pela Torre.  Quem viu a reportagem - e quem lá esteve - viu como estava o tempo:  nevoeiro, chuva, vento e muito frio...  Mas quando eu, o Paulo Amado e o Nuno Ribeiro nos encontrámos em Folgosinho para iniciar a estafa, apesar de já haver algum nevoeiro e estar fresco, a chuva era fraca pelo que se decidiu arrancar.  

O percurso escolhido teria um total de 37km e seria o seguinte:  Portela de Folgosinho (1.250m de altitude) onde deixámos os carros - Srª de Assedasse (910m de altitude) - Covão da Ponte - Cruz das Jogadas (1.100m de altitude) - Pousada de S. Lourenço (1.300m de altitude) - Penhas Douradas - Vale do Rossim e, daqui, até à Santinha (1.600m de altitude), por um trilho de 8km na crista da serra - Pico de S. Tiago (1.500m de altitude) - regresso à Portela de Folgosinho, onde havíamos deixado os carros e, daqui, para Folgosinho, para o petisco no "Albertino".

Até à Pousada de S. Lourenço, apesar do vento e por vezes, algum chuvisco, tudo correu normalmente, incluindo uma paragem no bar do parque de campismo do Covão da Ponte, para comer uma "bucha".  

Mas, a partir da Pousada, o tempo piorou:  começou a cair uma chuva mais grossa, o vento aumentou e refrescou (bastante) e começámos a penetrar num nevoeiro cada vez mais denso.  De tal modo que, parámos no Mondeguinho (nascente do Mondego) e decidimos alterar o percurso, pois nem pensar em meter-nos no trilho até à Santinha, pela crista da serra, completamente expostos à forte ventania:  corríamos o risco de fazer o baptismo de voo em bicicleta...  

Havia que terminar o passeio o mais depressa possível - já estávamos completamente encharcados e cheios de frio... e ainda estávamos no cimo da serra -, pelo que decidimos não passar pelas Penhas Douradas e Vale do Rossim e dirigirmo-nos directamente para Gouveia, a 18km dali, por uma estrada sempre a descer mas, para além da chuva, completamente mergulhada num denso nevoeiro!  

Foi um "fugir para a frente" e lá fomos por ali abaixo - passámos junto à "Cabeça do Vellho" que mal conseguimos ver -, sempre atentos à aproximação dos carros no meio daquele "puré", por vezes parando brevemente nas casas abrigo que íamos encontrando.  Numa delas, já mais perto de Gouveia, encontrámos três aventureiros que, apanhados na subida para a Serra, ali estavam abrigados, à espera que o tempo melhorasse...  

A "corrida" continuou e até deu direito ao Paulo começar a ficar sem travões na sua bicicleta.  Finalmente em Gouveia, conseguiu-se afinar minimamente os ditos travões, e daí seguimos para Melo, 7km mais adiante, onde foi possível deixar as bicicletas e arranjar um veículo para irmos buscar os que haviam ficado na Portela de Folgosinho. Ainda assim, o "passeio" ficou 4km mais longo do que inicialmente previsto ou seja, fizemos 41km!

Feitos os resgates dos carros e enfiado roupas secas, já só queríamos era petiscar qualquer coisa.  Vai daí que nos metemos no "Albertino" - restaurante tipo "farta-brutos" - em Folgosinho, onde aconchegámos o estômago... e de que maneira!

Mais uma estafa terminada, embora incompleta.  A ida à Santinha fica para uma próxima, podem crer!

9.30h:  

No início, na Portela de Folgosinho.

10.15h:  Na Srª de Assedasse, junto ao início do P.1 do Alto Mondego...

11.30h:  Na Cruz das Jogadas, com o vale do Zêzere (Manteigas) do fundo...

 

 

12.00h:  Subindo da Cruz das Jogadas para a Pousada de S. Lourenço (ao cimo). Já recomeçava a chover... para não mais parar!

13.20h:  Algures na estrada para Gouveia. Num abrigo de montanha encontrámos três aventureiros que iam a subir a serra e tiveram que se abrigar...

16.30h:  No "Albertino", em Folgosinho, num almoço tardio!  Na foto falta ver o Arroz de Cabidela...

 

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27 de Agosto:  

Reconhecimento do Percurso 6 do Alto Mondego

Em vez de repetirmos a descida do P.1 da Loriga - agora que eu já sabia como fazer apenas os primeiros 1,5km, os mais interessantes -, o Nuno Ribeiro sugeriu-me que fôssemos reconhecer o P.6 do Mondego, com o objectivo de eventualmente se virem aí a fazerem algumas actividades (canoagem ou outras, consoante a época do ano).

Começámos numa praia fluvial com acesso a partir de Ratoeira, cerca de 1km a jusante do início do percurso (Ponte do Ladrão).  No entanto, este intervalo apresenta, em grande parte, um plano de água calma, formado por um açude na praia fluvial de que falei.  Seriam cerca de 6km até ao final - Quinta da Ramalha - onde, na margem esquerda logo depois da ponte, existe um Lagar, recuperado pela Câmara Municipal de Celorico, que funciona como Restaurante.  Uma boa forma de terminar este passeio...

Todo o percurso é bastante calmo, apenas interrompido por um outro pequeno açude e algumas zonas que formarão pequenos rápidos. 

Obviamente que, em Agosto, encontrámo-lo com muito pouca água e muita vegetação a atrapalhar a progressão. Mas no Inverno, desde que devidamente limpo (existe lá uma zona que pode ter algum arame farpado no leito ou atravessado...), será um percurso bonito para se fazer, especialmente pelos que preferem rios mais calmos.

Novamente houve oportunidade de ver alguma da bicharada da região:  lagostins, aves de rapina, garças cinzentas e até vacas!

No final, regalámo-nos com um almoço no tal lagar de que falei acima.  Agradeço ao Nuno por esta actividade que, espero, tenha servido para os objectivos em vista.

9.40h: O início do troço, na praia fluvial perto da Ratoeira.

10.00h: Um lagostim apanhado pelo Nuno.

10.30h: O Mondego tem de todo o tipo de bicharada. Até vacas encontrámos!

10.30h: Uma das mais bonitas zonas do percurso.

10.30h: O mesmo local, um túnel de árvores.

 

 

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  07/12/2008 - Ribeira do ALVÔCO

Finalmente: depois de várias tentativas falhadas, esta foi a primeira vez que apanhámos o Alvôco com água suficiente para descermos o seu primeiro percurso! E que caudal! Havia nevado bastante durante toda a semana e, neste dia, chovia bem e a temperatura estava um pouco mais amena, do que estava a resultar um forte degelo... A coisa prometia!

À chamada, para além de mim, responderam o Frederico Albuquerque - que foi comigo de Lisboa - e o Nuno Brigas dos Santos que zarpou de Leiria e se encontrou connosco no caminho. Infelizmente o Jojo não se pôde juntar a nós, pois estava com uma forte "gripalhada". Desta forma, aventurámo-nos apenas os três a descermos aquele percurso pela primeira vez (na época passada, o Rabiço, dos Tamecanos, já havia saltado as duas últimas fragas, mas não havia descido o percurso), o que acabou por contribuir para um desfecho menos desejado...

A chuva continuava, persistente e, à chegada a Vide, vi logo que o rio levava bom caudal e que a descida estava garantida. No entanto, por precaução e para termos um Plano "B" de reserva, antes de rumarmos para o início do P.1 do Alvôco, fomos espreitar a Ribeira da Loriga, a qual levava igualmente um bom caudal. Se o Alvôco nos desiludisse quando chegássemos ao princípio do percurso, "virávamos as agulhas" e descíamos a Loriga.

Felizmente que, quando chegámos à ponte sobre o Alvôco, em Vasco Esteves de Baixo, a ribeira levava bastante água no início deste percurso. Foi só o tempo de nos prepararmos - sempre debaixo de uma chuva miudinha mas persistente -, escorregarmos (literalmente, por uma rampa enlameada...) até à margem e iniciarmos a descida (ás 12.00h). 

Havia uma boa corrente, a água estava limpa e o pilar da ponte apresentava os vestígios (muita lenha engravatada) de níveis de água muito superiores ao que agora encontrávamos...

Desde cedo confirmei o que já suspeitava ou seja, que com bom caudal - como agora - o percurso apresentava muitos e bons rápidos, muitas ondas, em boa parte devido ao tipo de leito, muito especial, juncado de "bolas" de granito arrastadas de montante ao longo dos séculos. Os rápidos não davam descanso - recordei-me da Ribeira da Sertã em cheia... -, a coisa estava mesmo divertida mas, logo de início senti algum cansaço, em especial quando era necessário entrar nas "contras" para aguardar pelos outros (resultado de uma "gripalhada" que já andava a "chocar" há uns tempos e que me havia de pregar à cama durante toda a semana seguinte...).

Entretanto, o Frederico começava a enfrentar sérias dificuldades em dominar o seu kayak que, possuindo uma popa "espalmada" - aparentemente um formato pouco adequado para o tipo de rápidos que estávamos a encontrar -, teimava em se empinar e enterrar a traseira, obrigando-o a várias esquimotagens, algumas delas falhadas e deixando marcas no capacete integral que (felizmente) levava. Ninguém estava a perceber como isto era possível, pois o Frederico tem mais anos de canoagem de águas bravas do que eu e o Nuno juntos. E em nenhuma das várias outras descidas que fizemos - em percursos não menos difíceis - havia sucedido algo semelhante. Estou convencido que era o resultado do formato do barco e que talvez os próprios rápidos tivessem características que agravassem a situação, já que havia muitas ondas, pouco espaçadas entre elas e algo cavadas, com alguns "buracos" pelo meio, talvez resultantes de um tipo de leito pouco habitual, com acima referi.

Entretanto, com a continuação da chuva, o degelo nas partes superiores da Serra aumentava rapidamente o caudal e, desde que havíamos iniciado a descida, a água subia constantemente e rapidamente passou de transparente a castanha!

O certo é que, após vários viranços do Frederico e alguns resgates algo complicados do material pelo meio - com o kayak, numa das vezes, a ficar preso num redemoínho -, o tempo ia passando e, duas horas depois do início da descida, apenas havíamos feito 2km, uma distância ridícula considerando a velocidade da corrente. Em 2h já deveríamos ter feito quase todo o percurso (perto de 8km) e, no entanto, ainda estávamos apenas a um terço e a chegar à primeira fraga, em Aguincho...

O Frederico começava a ficar desanimado com tantos banhos e estávamos a ficar apreensivos pelo tempo que demorámos e pelo que ainda nos faltava fazer. E o facto do caudal continuar a aumentar, de apenas temos mais três horas de luz para fazermos mais 5/6km (quando tínhamos gasto 2h a fazer 2km...) e de termos três fragas / quedas de água de mais de 10m pela frente, não nos tranquilizava...

Pelo meio já havíamos sido obrigados a fazer uma portagem de um troço que se apresentava muito agressivo e com vestígios de "drossagem", numa antiga marmita meio destruída. Aí, um habitante local que já nos havia visto (com um certo ar de espanto) nuns rápidos a montante, veio ter connosco para nos prevenir de que o caudal ainda iria continuar a subir, que tivéssemos muito cuidado daí para a frente, se não seria melhor sairmos, etc, etc... Palavras pouco tranquilizadoras, mas sábias, de quem viveu toda a vida ao lado daquela ribeira e que lhe conhece as manhas...

Considerando tudo isso e por sermos apenas três, decidimos abortar a descida quando chegámos ao final da 1ª parte, em Aguincho. Apesar de tudo, havíamos feito a parte mais interessante que, juntamente com a 2ª parte, é a que apresenta maior desnível e os melhores rápidos. Haverá mais oportunidades para fazermos a totalidade do percurso!

Assim sendo, desembarcámos na margem direita, a montante da fraga de Aguincho e fomos vê-la, para comparar o caudal com o que havíamos visto quando por lá havíamos passado no caminho para o início do percurso, umas três horas antes... E a diferença era enorme: para além de bastante mais volume de água, a cor era diferente (castanha) e a zona de recepção, que três horas antes era uma piscina de águas calmas, era agora uma área completamente em ebulição, totalmente branca e cheio de rolos, que tudo atirava contra os muros de pedra que a ladeavam! Mais adiante, no prolongamento do rápido de saída, tinha-se formado uma forte onda que embrulharia tudo o que por lá passasse... Ficámos a imaginar o que teria acontecido se algum de nós se tivesse virado a montante da fraga e não tivesse conseguido chegar à margem a tempo... e concluímos que havíamos optado pela decisão certa!

Enquanto o Frederico e o Nuno foram, a pé, buscar o Jipe que havia ficado no início do percurso, eu fiquei a guardar os barcos e admirar os riscos que o Frederico havia feito no seu novo capacete integral... Regressados e recolhido todo o material, rumámos ao final do percurso (Barriosa, onde nos esperava a roupa seca) e, pelo caminho, fomos espreitar a 2ª fraga, em Frádigas, que apresentava a mesma violência de caudal que a anterior!

Na Barriosa a situação mantinha-se a apresentava-se bem diferente do que havíamos visto algumas horas antes...

Só nos restava arranjar um sítio para ir jantar. Escolhemos um restaurante a caminho de Avô (o "Varandas Verdes"), onde confirmámos como bem se come naquela região. À hora em que lá chegámos (pelas 18.00h) só nos conseguiram arranjar uma bela de uma feijoada, mas estava óptima! Finalmente, o Jojo conseguiu fazer-nos companhia nesta parte da "aventura" e por lá ficámos em amena cavaqueira durante algumas horas, até nos fazermos à estrada, de regresso a casa.

Deixo-vos um vídeo e algumas (poucas) fotografias que, espero, dêem uma ideia de como é aquele percurso com muita água. Durante a descida, apesar das paragens, não houve tempo ou oportunidade de fazer mais fotos, pois a corrente estava muito forte e havia que estar atento a outras coisas... 

 

11.00h

Vistoria da fraga de Aguincho, antes de iniciar a descida: "Saltamos? Não saltamos?... Hmmm...

A zona da recepção no final da fraga, pelas 11.00h...

...e a mesma zona 3h depois!

Início da descida (ponte em V. Esteves de Baixo)

Resgate de material após os primeiros rápidos.

O Nuno depois de um rápido.

Curva antes do rápido da marmita destruída.

A "boca" da fraga de Aguincho, vista de montante.

Em Aguincho, à espera do Frederico e do Nuno.

As marcas das pedras do Alvôco no capacete do Frederico...

Frádigas: a 2ª fraga do percurso

Barriosa: a 3ª e última fraga do percurso.

 

 

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Termina 2008 ... 

Tal como o ano passado, 2008 terminou sem termos conseguido realizar os Encontros de S.Martinho e de Videmonte, o primeiro por falta de água, o segundo pela neve que teimou em aparecer precisamente na data do evento... 

Até 2009!  

 

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Pedro Carvalho   ( tlm: 967062711  E.mail: kompanhia@clix.pt

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Ultima actualização:  11/06/2010